WhatsApp do Vestiprovas
Compartilhar

Responder Questão:

Ceará URCA 2013.1 Questão: 20 Português Interpretação de textos 

 

 

Os fragmentos, abaixo falam de política. Estabelecendo comparações entre os dois textos, é correto afirmar:

 

Texto 1

DENTES À MOSTRA

 Atenção, amigos! Apertem os cintos! Começou a temporada de caça ao voto. Os sorrisos estão espalhados por todas as esquinas. A solidariedade – quem diria – tornouse epidêmica. Os carros de som poluem a cidade com péssimas paródias, montadas em músicas de quinta categoria. Cada candidato tem um, pelo menos. O voto é um objeto realmente precioso. Basta ver políticos que odeiam certos apelidos, em ano eleitoral assumemnos, por mais brilhantes que sejam. Em Matozinho, para vocês relaxarem um pouco, um carroceiro que carregava o terrível epíteto de “Bimba de Jegue”, já tinha matado pelo menos dois desavisados que teimaram em chamálo assim. Pois não é que na atual campanha, simplesmente assumiu risonhamente o popular apelido e o estampou em todo material de divulgação! O mais ameaçador, no entanto, era o slogan que vinha logo abaixo do famoso “Bimba de Jegue”: “Sempre na sua Retaguarda”!

 

 Os muros calabreados com tinta inútil, se pudessem, cairiam por terra revoltados: e eles serviam, anteriormente, não era para afastar os ladrões das casas de família? Os postes, atônitos, se veem, de repente, carregando retratos de candidatos, clicados, pelo menos a trinta anos. Todos jovens, cabelos pretíssimos, dentes à mostra, não se sabe bem se para o riso ou para a mordida. Em todo canto de rua, bandeiras tremulam nas mãos de correligionários de última hora, pagos religiosamente, para manter o entusiasmo da campanha. A maior parte dos candidatos, então, parece até membros da OPEP, nenhum cabo eleitoral paga gasolina, consegue nos postos, grátis, por conta dos partidos, inclusive para uso em isqueiro, velocípede e patinete.

 

 Daqui a pouco, choverão folders, faixas, panfletos, botons, camisetas, cartazes, outdoors, santinhos, chaveiros, bonés e nos últimos e decisivos dias, na calada da noite, choverá, nos bairros mais pobres, um metal bem mais precioso. Os showmícios se atapetarão de palcos caros, fogos de artifício e bandas de forró péssimas e dispendiosas: única maneira de atrair o povo para aguentar discursos, insultos e plataformas vazias. Surgem, neste tempo, muitas perguntas inquietantes. Existe democracia num pleito onde um candidato por melhor e mais preparado que seja, se não for rico, não tem a mínimas condições de concorrer? Como os vencedores recuperarão o gigantesco investimento feito na campanha? Quem sabe, são bem intencionados filantropos, prontos para investir no bem da humanidade.

 

 Para o povo a única alegria virá do horário eleitoral gratuito, sem nenhuma dúvida o melhor programa de humor da televisão nacional. Uma outra novidade é que o STJ passou a exigir dos candidatos a vereador um grau mínimo de instrução. (…)

 

VIEIRA, José Flávio. Matozinho vai à Guerra. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora,2007,pp.175/176

Texto 2

AS ELEIÇÕES

(...)
 Raro é o homem de bem que se faz eleitor, e se alista, para atender a pedidos de amigos, não tarda que o seu diploma sirva a outro cidadão mais prestante, que no dia do pleito, para fins eleitorais, muda de nome e toma o do pacato burguês que se deixa ficar em casa, e vota com eles. Isto é o eu se chama fósforo.

 Às vezes semelhantes eleitores votam até com nomes de mortos, cujos diplomas apresentam aos mesários solenes e hieráticos que nem sacerdotes de antigas religiões. Quer um, quer outro serviço eleitoral, constituem os préstimos mais relevantes que se podem prestar aos políticos de profissão.

 Tais costumes eleitorais da Brunzundanga são fonte de muitos casos cômicos, mas, por serem quase semelhantes aos que se passam entre nós, abstenhome de narrálos. Entretanto, vou darlhes  o depoimento de um ingênuo e inteligente eleitor, que descreve a sua iniciação eleitoral na Bruzundanga e os característicos do exercício dos direitos políticos que a sua Constituição outorga aos cidadãos.

 Trata-se de uma das melhores relações que travei naquele país. Ao tempo em que nos conhecemos, ele tinha aí os seus vinte e seis anos e já havia publicado algumas de suas memórias interessantes sobre a paleontologia da Brunzundanga.

 Não sei, ao certo, se continuou com brilho a sua estreia brilhante; mas suspeito que não.

 A sociedade da Brunzundanga mata os seus talentos, não porque os desdenhe, mas porque os quer idiotamente mundanos, cheios de empregos, como enfeites de sala banal.

O meio inconsciente de que ela serve para tal fim, é o casamento.

O rapaz começa logo a fazer ruído e logo todos os cercam, já os de sua camada, já os de camada superior, se é de extração modesta.

 É natural que ele encontre entre tantas damas da roda que o cerca a do seu pensamento.

 Eilo casado; a mulher, porém, não compreende sábio que não ganhe muito dinheiro e viva modestamente. (...)
Penso, por isso, que o meu amigo, Halaké Ben Thoreca, como todos seus iguais, se banalizou com o casamento e a consequente cavação de empregos. Tratemos, porem, da sua estreia eleitoral, como ele me contou. Vamos ouvilo:

 “Pelos meus vinte dois anos, uma manhã, li um artigo eloquente em que se lembrava aos brunzundanguenses a necessidade, o dever de inscrever seus nomes no próximo alistamento eleitoral. Li e fiquei convencido. Depois de árduos trabalhos, obtive o diploma; e, nas vésperas da eleição, pusme a estudar os manifestos dos candidatos ao cargo espinhoso de deputado.
Fiquei perplexo.

 Julho Ben Khosta, com mais de vinte anos de prática no ofício de candidato, prometia, caso fosse eleito, propugnar a disseminação de livros e estampas; e, hoje mesmo, apesar de homem feito, passa horas e horas a folheálos. A promessa de Julho Ben Khosta demoveume a empenharlhe o meu voto. Não durou muito essa minha resolução. Na mesma coluna dos apelidos do jornal, a plataforma do Dr. Karaban acenavame com uma grande esperança.
(...)”


BARRETO, Lima. Os Brunzundangas.São Paulo: Martin Claret,2009, pp.95/96



TEMPO NA QUESTÃO

Relógio00:00:00

Gráfico de barras Meu Desempenho

Português Interpretação de textos

Total de Questões: ?

Respondidas: ? (0,00%)

Certas: ? (0,00%)

Erradas: ? (0,00%)

Somente usuários cadastrados!

Postar dúvida ou solução ...