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Ceará URCA 2013.1 Questão: 17 Português Figuras e Recursos de Linguagem Geral 

DENTES À MOSTRA

 Atenção, amigos! Apertem os cintos! Começou a temporada de caça ao voto. Os sorrisos estão espalhados por todas as esquinas. A solidariedade – quem diria – tornouse epidêmica. Os carros de som poluem a cidade com péssimas paródias, montadas em músicas de quinta categoria. Cada candidato tem um, pelo menos. O voto é um objeto realmente precioso. Basta ver políticos que odeiam certos apelidos, em ano eleitoral assumemnos, por mais brilhantes que sejam. Em Matozinho, para vocês relaxarem um pouco, um carroceiro que carregava o terrível epíteto de “Bimba de Jegue”, já tinha matado pelo menos dois desavisados que teimaram em chamálo assim. Pois não é que na atual campanha, simplesmente assumiu risonhamente o popular apelido e o estampou em todo material de divulgação! O mais ameaçador, no entanto, era o slogan que vinha logo abaixo do famoso “Bimba de Jegue”: “Sempre na sua Retaguarda”!

 Os muros calabreados com tinta inútil, se pudessem, cairiam por terra revoltados: e eles serviam, anteriormente, não era para afastar os ladrões das casas de família? Os postes, atônitos, se veem, de repente, carregando retratos de candidatos, clicados, pelo menos a trinta anos. Todos jovens, cabelos pretíssimos, dentes à mostra, não se sabe bem se para o riso ou para a mordida. Em todo canto de rua, bandeiras tremulam nas mãos de correligionários de última hora, pagos religiosamente, para manter o entusiasmo da campanha. A maior parte dos candidatos, então, parece até membros da OPEP, nenhum cabo eleitoral paga gasolina, consegue nos postos, grátis, por conta dos partidos, inclusive para uso em isqueiro, velocípede e patinete.

 Daqui a pouco, choverão folders, faixas, panfletos, botons, camisetas, cartazes, outdoors, santinhos, chaveiros, bonés e nos últimos e decisivos dias, na calada da noite, choverá, nos bairros mais pobres, um metal bem mais precioso. Os showmícios se atapetarão de palcos caros, fogos de artifício e bandas de forró péssimas e dispendiosas: única maneira de atrair o povo para aguentar discursos, insultos e plataformas vazias. Surgem, neste tempo, muitas perguntas inquietantes. Existe democracia num pleito onde um candidato por melhor e mais preparado que seja, se não for rico, não tem a mínimas condições de concorrer? Como os vencedores recuperarão o gigantesco investimento feito na campanha? Quem sabe, são bem intencionados filantropos, prontos para investir no bem da humanidade.

 Para o povo a única alegria virá do horário eleitoral gratuito, sem nenhuma dúvida o melhor programa de humor da televisão nacional. Uma outra novidade é que o STJ passou a exigir dos candidatos a vereador um grau mínimo de instrução. (…)

VIEIRA, José Flávio. Matozinho vai à Guerra. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora,2007,pp.175/176

 

 O narrador, ao longo do texto, utilizase de recursos que o isentam de proferir intervenções diretas, como: “Os muros calabreados com tanta tinta inútil, se pudessem, cairiam por terra revoltados (...) Os postes, atônitos … ”. A este recurso, denominamos:



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