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Paraná UNIOESTE 2012.2 1ª Fase Questão: 55 Português Geral 

 

 

 

Nem torta de espuma

Continuamos nos perguntando por que os brasileiros não vão para as ruas protestar contra a onda de corrupção que assola o país. Cadê os nossos “indignados”? É como se a sequência interminável de escândalos tivesse anestesiado as pessoas, principalmente os jovens. Nada mais choca. Descobre-se que 70% das verbas desviadas são das áreas de Saúde e Educação, e é como se esse crime hediondo fosse natural. A empresa de um rapaz de 27 anos, filho de ministro, cresce incríveis 86.500% em dois anos, e a gente acha graça, faz piada. Tudo bem que a presidente Dilma está tendo a coragem de promover uma faxina num dos maiores antros de desvio do dinheiro público: o Ministério dos Transportes. Até o momento em que escrevo, 17 já foram demitidos. Mas isso está sendo feito agora, e a pasta foi entregue ao PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto há tanto tempo que o dinheiro desviado daria para asfaltar até a floresta amazônica (aliás, é bom não dar a ideia). Para quem acha que protestar não adianta, há um pequeno exemplo contrário que acaba de vir de Nova Friburgo. Depois que os repórteres Antonio Werneck e Waleska Borges mostraram que mais de dez inquéritos tinham sido instaurados na cidade para apurar várias irregularidades no uso dos R$10 milhões de verbas federais recebidas, o prefeito e seis secretários, em entrevista coletiva, tentaram desmentir as denúncias “maldosas e equivocadas” que eles atribuíam não ao Ministério Público, mas ao Globo. Um secretário chegou a afirmar que “nenhum recurso de reconstrução chegou ao município”. A resposta foi dada no dia seguinte pela indignação de “centenas de friburguenses que saíram às ruas para protestar”, como noticiou o jornal “A Voz da Serra”. O resultado é que no dia seguinte foi aprovada na Câmara de Vereadores a CPI que vinha sendo protelada há três meses “para investigar a utilização dos R$10 milhões repassados ao município para serviços de limpeza” - justamente aqueles que as autoridades negavam ter recebido e malversado. Em seguida, a Polícia Federal fez uma devassa em documentos da Prefeitura. Fiquei orgulhoso da cidade que embalou minha adolescência. Reclama-se que só evangélicos, gays e adeptos da maconha fazem passeatas, numa espécie de protestos, digamos, a favor. Por que não uma contra a corrupção? Já me contentaria com uma faixa em cada uma das manifestações: “A favor de Jesus e contra a roubalheira”; “A favor da maconha e contra a corrupção”; “A favor dos gays e contra os ladrões do dinheiro público”. Houve um tempo em que uma onda de corrupção muito menor foi chamada de “mar de lama” e terminou em tragédia. Agora, um “oceano de lama” está mais para pastelão, sem direito sequer a uma simbólica torta de espuma, como a destinada a Rupert Murdoch em Londres.

Zuenir Ventura, jornal O Globo em 23/07/2011.

No quarto parágrafo, em Reclama-se que só evangélicos, gays e adeptos da maconha fazem passeatas, numa espécie de protestos, digamos, a favor, pode-se afirmar que ao usar adeptos da maconha e não maconheiros, que corresponderia a evangélicos e gays, em termos de paralelismo gramatical e semântico, houve

 

 

 



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