WhatsApp do Vestiprovas
Compartilhar

Responder Questão:

São Paulo UNIFESP 2012.2 1ª Fase Questão: 14 Literatura Escolas Literárias E - Realismo/Naturalismo (2a metade do séc.XIX) 

Flor Anônima

Manhã clara. A alma de Martinha é que acordou escura.
Tinha ido na véspera a um casamento; e, ao tornar para
casa, com a tia que mora com ela, não podia encobrir a tristeza
que lhe dera a alegria dos outros e particularmente dos
noivos.

Martinha ia nos seus... Nascera há muitos anos. Toda
a gente que estava em casa, quando ela nasceu, anunciou
que seria a felicidade da família. O pai não cabia em si de
contente.

– Há de ser linda!
– Há de ser boa!
– Há de ser condessa!
– Há de ser rainha!

Essas e outras profecias iam ocorrendo aos parentes e
amigos da casa.

Lá vão... Aqui pega a alma escura de Martinha. Lá vão
quarenta e três anos — ou quarenta e cinco, segundo a tia;
Martinha, porém, afirma que são quarenta e três. Adotemos
este número. Para ti, moça de vinte anos, a diferença é nada;
mas deixa-te ir aos quarenta, nas mesmas circunstâncias que
ela, e verás se não te cerceias uns dois anos. E depois nada
obsta que marches um pouco para trás. Quarenta e três, quarenta
e dois, fazem tão pouca diferença...

Naturalmente a leitora espera que o marido de Martinha
apareça, depois de ter lido os jornais ou enxugado do banho.
Mas é que não há marido, nem nada. Martinha é solteira,
e daí vem a alma escura desta bela manhã clara e fresca,
posterior à noite de bodas.

Só, tão só, provavelmente só até a morte; e Martinha
morrerá tarde, porque é robusta como um trabalhador e sã
como um pero. Não teve mais que a tia velha. Pai e mãe
morreram, e cedo.

A culpa dessa solidão a quem pertence? Ao destino ou a
ela? Martinha crê, às vezes, que ao destino; às vezes, acusase
a si própria. Nós podemos descobrir a verdade, indo com
ela abrir a gaveta, a caixa, e na caixa a bolsa de veludo verde
e velha, em que estão guardadas todas as suas lembranças
amorosas. Agora que assistira ao casamento da outra,
teve ideia de inventariar o passado. Contudo hesitou:

– Não, para que ver isto? É pior: deixemos recordações
aborrecidas.

(www.dominiopublico.gov.br. Adaptado.)

Na construção da narrativa, o narrador apresenta uma realidade não idealizada, o que é comum à estética literária realista. Isso se configura no texto com



TEMPO NA QUESTÃO

Relógio00:00:00

Gráfico de barras Meu Desempenho

Literatura Escolas Literárias

Total de Questões: ?

Respondidas: ? (0,00%)

Certas: ? (0,00%)

Erradas: ? (0,00%)

Somente usuários cadastrados!

Postar dúvida ou solução ...