
A escola ficava no fim da rua, num casebre de palha com biqueiras de telha, caiado por fora. Dentro – unicamente um grande salão, com casas de marimbondos no teto, o chão batido, sem tijolo.
De mobiliário, apenas os bancos e as mesas estreitas dos alunos, a grande mesa do professor e o quadro-negro arrimado ao cavalete.
A minha decepção começou logo que entrei.
Eu tinha visto aquela sala num dia de festa, ressoando pelas vibrações de cantos, com bandeirinhas tremulantes, ramos e flores sobre a mesa. Agora ela se me apresentava tal qual era: as paredes nuas, cor de barro, sem coisa alguma que me alegrasse a vista.
Durante minutos fiquei zonzo, como a duvidar de que aquela fosse a casa que eu tanto desejara.
E os meus olhinhos inquietos percorriam os cantos da sala, à procura de qualquer coisa que me consolasse. Nada. As paredes sem caiação, a mobília polida de preto – tudo grave, sombrio e feio, como se a intenção ali fosse entristecer a gente. (...)
Tentei encarar o professor e um frio esquisito me correu da cabeça aos pés. O que eu via era uma criatura incrível, de cara amarrada, intratável e feroz.
Os nossos olhos cruzaram-se. Senti uma vontade louca de fugir dali. Pareceu-me estar diante de um carrasco.
(Viriato Correa, Cazuza)
Em sua descrição da sala de aula, o enunciador mobiliza predominantemente o sentido da visão (por exemplo, “casebre de palha”, “caiado por fora”, “mobília polida de preto” etc.), embora outro sentido também seja utilizado. Transcreva uma passagem do fragmento que comprove essa afirmação, identificando esse outro sentido implicado.
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