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São Paulo UNESP 2004.2 Questão: 71 Português Interpretação de textos 

(1) E acompanhando sua filha, D. Antônio foi ao encontro do índio que já subia a esplanada.
(2) Peri trazia um pequeno cofo1, tecido com extraordinária delicadeza, feito de palha muito alva, todo rendado; por entre o crivo que formavam os fios, ouviam-se uns chilidos2 fracos e um rumor ligeiro que faziam os pequenos habitantes desse ninho gracioso.
(3) O índio ajoelhou-se aos pés de Cecília; sem animar-se a levantar os olhos para ela, apresentou-lhe o cabaz3 de palha; abrindo a tampa, a menina assustou-se, mas sorriu; um
enxame de beija-flores esvoaçava dentro; alguns conseguiram escapar-se.
(4) Destes um veio aninhar-se no seu seio, o outro começou a voltejar em torno de sua cabeça loura como se tomasse a sua boquinha rosada por um fruto.
(5) A menina admirava essas avezinhas brilhantes, umas escarlates, outras azuis e verdes; mas todas de reflexos dourados e formas mimosas e delicadas!
(6) Vendo-se esses íris4 animados acreditava-se que a natureza os criou com um sorriso, para viverem de pólen e de mel, e para brilharem no ar como as flores na terra e as estrelas no céu.
(7) Quando Cecília se cansou de admirá-los, tomou-os um por um, beijou-os, aqueceu-os no seio, e sentiu não ser uma flor bela e perfumada para que eles a beijassem também e esvoaçassem
constantemente em torno dela.
(8) Peri olhava e era feliz; pela primeira vez depois que a salvara, tinha sabido fazer uma coisa que trouxera um sorriso de prazer aos lábios da senhora. Entretanto, apesar dessa felicidade
que sentia interiormente, era fácil de ver que o índio estava triste; ele chegou-se para D. Antônio de Mariz e disse-lhe:
(9) — Peri vai partir.
(10) — Ah! Disse o fidalgo, voltas aos teus campos?
(11) — Sim: Peri volta à terra que cobre os ossos de Ararê.
(12) D. Antônio encheu o índio de presentes dados em seunome e em nome de sua filha.
(13) — Perguntai a ele por que razão parte e nos deixa, meu pai, disse Cecília.
(14) O fidalgo traduziu a pergunta.
(15) — Porque a senhora não precisa de Peri, e Peri deve acompanhar sua mãe e seus irmãos.
(16) — E se a pedra quiser fazer mal à senhora, quem a defenderá? perguntou a menina sorrindo e fazendo alusão à narração do índio.
(17) Ouvindo dos lábios de D. Antônio a pergunta, o selvagem não soube o que responder, porque lhe lembrava um pensamento que já tinha passado por seu espírito; temia que na sua ausência a menina corresse um perigo e ele não estivesse junto dela para salvá-la.
(18) — Se a senhora manda, disse enfim, Peri fica.
(José de Alencar, O Guarani.)

Vocabulário

1.cofo – samburá, cesto feito de cipó ou de taquara, bojudo e de boca
estreita, usado pelos pescadores para recolher peixes, camarões,
etc.
2.chilido – chilreio agudo de pássaros novos.
3.cabaz – cesto de verga, junco, vime, etc. de variadas formas,
geralmente com tampa e asa.
4.íris – certa pedra preciosa, quartzo irisado.

Considere o procedimento lingüístico de referência no texto e responda:

a) No 3.º parágrafo do texto de Alencar, Cecília percebe que o cesto que Peri lhe dera estava repleto de beija-flores. Essas aves serão retomadas nos parágrafos 4, 5, 6 e 7 de diferentes maneiras. Indique uma forma de referência aos beija-flores em cada um desses parágrafos.

b) Em contraposição ao dever-partir afirmado por Peri, Cecília faz referência a um acontecimento narrado
anteriormente ao trecho aqui transcrito, no qual Peri salva-a de ser esmagada por uma grande pedra que se desprendera da encosta de um morro. Que efeito essa referência desencadeia no dever de Peri e que justificativa ele apresenta para sua decisão?



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