
TEXTO III:
... nunca cessou de espantar-me manifestação de preconceito e hostilidade sociocultural. Em vez de alegrar-se com a diversidade extraordinariamente rica e fecunda de um país que, nessa diversidade, é o mesmo de uma ponta a outra, em vez de aprender com ela e com ela engrandecer- se, há gente que perde tempo e adrenalina num besteirol arrogante e irracional, entre generalizações estúpidas e demonstrações de estreiteza de visão. O sotaque alheio irrita, a maneira de ser exaspera [...] nada disso faz ninguém
necessariamente melhor ou pior, mas apenas diferente dos outros.
(RIBEIRO, J. Ubaldo. O Globo, 23/05/1995)
TEXTO IV:
O gaúcho do Sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado. O vaqueiro do Norte é a sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equiparálos. O primeiro, filho dos plainos sem fim, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheiresca e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do Norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada.
(CUNHA. Euclides da. 1902. Os sertões. In: AGUIAR, F. (org.). 1999. Com palmos medida. Terra, trabalho e conflito na literatura brasileira. São Paulo, Fundação Perseu Abramo: p. 143)
Os Textos III e IV apresentam reflexões sobre diversidade em tipos distintos de texto. Estabeleça, através da seleção vocabular, um contraste entre a linguagem jornalística contemporânea e a literária, do início do século passado, retirando dois exemplos de cada texto.
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