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Goiás UFG 2014.1 Questão: 51 História Geral 

Analise a imagem e leia o texto a seguir.


Na corte, teorias e experimentos médicos tinham livre curso de permeio às terapias tradicionais. Na Regência, ainda se fazia um unguento, supostamente útil para prevenir a queda dos cabelos, com a gordura do corpo dos escravos. Certo Dr. Santos publicou, em 1838, os resultados de uma experiência inédita; fizera uma cascavel picar um negro leproso para estudar os efeitos do veneno da cobra na evolução da doença. Mas o experimento fracassou porque o doente morreu em 24 horas.

ALENCASTRO, Luiz Felipe. Vida privada e ordem privada no Império. In: História da vida privada
no Brasil. Império: a corte e a modernidade nacional. V. 2. 1997. p. 76-77. (Adaptado).


A imagem e o texto remetem ao cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX. Nesse ambiente de intensas trocas culturais, ao negro eram atribuídas diferentes representações. Diante do exposto, explique

a) como a pintura expressa as trocas culturais no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX;

b) a diferença na forma de representação do negro, na imagem e no texto.

a) Na primeira metade do século XIX, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se um ambiente marcado por intensas trocas culturais. Juntamente com a influência europeia, reforçada com a chegada da Família Real e da Missão Francesa, a cultura islâmica era marcante entre negros escravizados. Na pintura de Debret, essas culturas são expressas de diversas formas (o candidato deverá apresentar apenas uma das explicações a seguir):

a prática da medicina: o cirurgião coloca ventosas em seus pacientes, realizando a sangria – prática médica preexistente tanto na Europa quanto na Ásia;
a arquitetura: observa-se na pintura a fusão de estilos – o neoclássico das colunas e o mourisco das treliças nas janelas (muxarabi);
o vestuário da figura feminina: com o rosto semicoberto, sua vestimenta remete à hijab, própria da cultura islâmica;
o vestuário e os adereços do cirurgião: o colete (vestuário) e o barrete (adereço) revelam a apropriação de tradições culturais distintas (europeia e islâmica). Além desses, o cirurgião utiliza amuletos (cavalo marinho no pescoço e chifre de boi para fazer as ventosas), que servem ao misticismo, escapando da tradição cristã. 

b) O texto e a imagem remetem a representações diferentes do negro, na primeira metade do século XIX:

no texto, o negro é inserido como objeto de atuação do experimento médico. Assim, a força de trabalho e seu corpo não lhe pertenciam, sendo ele objeto de estudo (o experimento com o veneno da cascavel). Pode-se dizer, portanto, que, por ser propriedade de outro, ao escravo negava-se qualquer tipo de humanidade;

na imagem, o negro é representado como sujeito, ele é portador de conhecimentos. O título da obra reforça o protagonismo do cirurgião negro, que é a figura principal da pintura, destacada em primeiro plano.



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