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Goiás UFG 2014.1 Questão: 47 História Geral 

Leia os textos a seguir.

Texto 1

Já havíamos chegado no ano da Encarnação do Filho de Deus, de 1348, quando, na cidade de Florença, sobreveio a mortífera pestilência. Por iniciativa dos corpos superiores, ou em consequência das nossas ações, esta peste, lançada sobre os homens por justa ira divina e para a nossa exemplificação, começara nas regiões orientais.

BOCACCIO. Decameron, 1348/1353. In: MARQUES, Adhemar; BERUTTI, Flávio; Faria, Ricardo. (Org.). História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 1994. p. 33.

Texto 2

– Esse terremoto não é novidade nenhuma – respondeu Pangloss. – A cidade de Lima experimentou os mesmos tremores de terra no ano passado, iguais causas, iguais efeitos: há com certeza uma corrente subterrânea de enxofre, desde Lima até Lisboa. – Nada mais provável – respondeu Cândido. – Como, provável? Sustento que é a coisa mais demonstrada que existe. […] Pangloss consolou a todos, assegurando que as coisas não podiam ser de outra maneira. […] Um homenzinho de preto, familiar da Inquisição, que se achava ao seu lado, tomou a palavra e disse: – Pelo visto, o senhor não crê no pecado original, pois se tudo está o melhor possível, não houve queda nem castigo.

VOLTAIRE. Cândido, 1759. p. 12-13. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?setec_action=&co_obra=2239>. Acesso em: 22 out. 2013. (Adaptado).

 

Os fragmentos apresentados integram duas obras literárias, abordando, no texto 1, a Peste Negra, que assolou a Europa no século XIV, e, no texto 2, o terremoto que devastou a cidade de Lisboa em 1755. Diante do exposto, explique como:

a) os textos interpretam, de modos diferentes, a causa dos fenômenos abordados;

b) o texto 2 associa-se à filosofia iluminista.

a) Cada um dos textos constrói uma interpretação para os fenômenos naturais, tal como segue:

• em Decameron, a voz narradora interpreta a causa da Peste Negra como expressão da vontade divina, identificando a epidemia como “iniciativa dos corpos superiores” ou celestes. Além disso, ao destacar a pestilência como manifestação de uma “justa ira divina”, o narrador responsabiliza as próprias vítimas pela dizimação que assolou a Europa, compreendendo que os atos humanos assumiram papel preponderante para a ocorrência do fenômeno. Assim, os homens provocaram a ira divina, que, por conseguinte, enviou a peste como punição legítima e exemplar;

• em Cândido, a fala da personagem Pangloss formula uma explicação natural para o terremoto, identificando em fatores geográficos as causas da ocorrência do fenômeno (“há com certeza uma corrente subterrânea de enxofre”). Além disso, ao se referir a outros terremotos, como o que havia ocorrido em Lima (Peru), a personagem constrói uma explicação baseada na formulação de leis naturais (“iguais causas, iguais efeitos”), ao invés de recorrer à ação do sobrenatural. Com essa interpretação racional, não se culpabiliza os habitantes de Lisboa (Portugal) pelo desastre que lhes aba- teu. Em virtude disso, a ação humana não tem papel ou interferência na causa do fenômeno. 

 

b) O texto 2, de Voltaire, associa-se à filosofia iluminista ao combater a supremacia das concepções religiosas na construção de sentidos para o mundo e para a história. No século XVIII, a compreensão do mundo era fortemente mediada pela crença no sobrenatural, identificando a intervenção divina nos acontecimentos e nos aspectos do cotidiano. Decorre disso o fato de o terremoto em Portugal ter sido compreendido por muitos como punição divina aos habitantes de Lisboa. Tal imaginário religioso é representado, no fragmento, pela figura descrita como “homen- zinho de preto, familiar da Inquisição”, que compreende a realidade a partir da crença na queda humana e no castigo divino. Em contraposição a essa visão de mundo, o texto recorre a um tipo de explicação baseada no método comparativo (“iguais causas, iguais efeitos”) e na demonstração (“é a coisa mais demonstrada que existe”). Com isso, são expressos princípios da filosofia iluminista, que preconizava o uso da razão, estabelecendo que o conhecimento deveria adquirir caráter lógico ou empírico.



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