
Leia os trechos do conto “Eufrásia Meneses”, de Ronaldo Correia de Brito, e observe as imagens da tela “A criança morta”, de Cândido Portinari.
[…] Os animais estão magros e famintos. Também os homens. O sol queima e requeima as doze horas do dia e, à noite, um vento morno e cortante bebe a última gota d'água do nosso corpo. Já somos garranchos secos, quebradiços, inflamáveis. Basta que nos olhem para ardermos numa chama brilhante e fugaz, que logo é cinza. [...] Uma revoada de aves de arribação me acorda das lembranças. A África acolherá esses pássaros que abandonam o sertão. Se ficam aqui, morrem de fome e de sede. Voam num comprido manto, estendido no céu. Nós ficaremos, chupando a última gota d'água das pedras, lendo no sol, todos os dias, nossa
sentença.
BRITO, Ronaldo Correia de. Livro dos homens. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 19-20.

Os trechos do conto e as imagens da tela acima reproduzidos remetem a uma região geográfica e a um problema social bastante representativos da realidade e da cultura brasileira. Convertidos em espaço e tema por variadas formas de arte, essa região e esse problema fazem parte da história da Literatura Brasileira, constituindo uma tradição que se inicia no Romantismo, firma-se nos períodos literários seguintes e tem sido constantemente retomada pela ficção brasileira contemporânea, à qual se filiam os contos de Ronaldo Correia de Brito. Dado esse contexto, explicite:
a) o espaço e o tema, por meio dos quais se estabelece o diálogo entre as formas de arte acima reproduzidas, e o drama humano, representado na tela de Portinari e comumente protagonizado pelos habitantes desse espaço; (3,0 pontos)
b) o período da história da Literatura Brasileira e o gênero literário em que esse espaço, esse tema e esse drama foram recorrentemente explorados. (2,0 pontos)
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