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Bahia UFBA 2013.1 Questão: 9 Português Geral 

I.

       Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
       Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
       Tupi or not tupi that is the question.
       Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
      Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

ANDRADE, Oswald de. A utopia antropofágica. São Paulo: Globo; Secretaria de Estado da Cultura, 1990. p. 47. (Obras completas de Oswald de Andrade).

II.
       No outro dia bem cedinho foram todos trabucar. A princesa foi no roçado Maanape foi no mato e Jiguê foi no rio. Macunaíma se desculpou, subiu na montaria e deu uma chegadinha até a boca do rio Negro pra buscar a consciência deixada na ilha de Marapatá. Jacaré achou? nem ele. Então o herói pegou na consciência dum hispano-americano, botou na cabeça e se deu bem da mesma forma.
       Passava uma piracema de jaraquis. Macunaíma agarrou pescando e distraído quando viu estava em Óbidos, a montaria cheinha de peixes frescos. Mas o herói foi obrigado a atirar tudo fora porque em Óbidos “quem come jaraqui fica aqui” falam e ele tinha que voltar pro Uraricoera. Voltou e como era ainda o pino do dia deitou na sombra da ingazeira catou os carrapatos e dormiu. Tarde chegando todos voltaram pra tapera só Macunaíma não. Os outros saíram pra esperar. Jiguê se acocorou botando a orelha
no chão pra ver si escutava o passinho do herói, nada. Maanape trepou no grelo duma inajá pra ver si enxergava o brilho dos brincos do herói, nada. Então saíram por mato e capoeira gritando:

 — Macunaíma, nosso mano!...
Nada. Jiguê chegou debaixo da ingazeira e gritou: 
 — Nosso mano!
 — Que foi!
 — Você, aposto que já estava dormindo!
 — Dormindo nada, então! Estava mas era negaceando um inhambu-guaçu. Você
fez bulha, nhambu escapuliu!

ANDRADE, Mário de. Macunaíma. 2. ed. Madrid; Paris; México; Buenos Aires; São Paulo; Rio de Janeiro; Lima: ALLCA XX, 1996. p. 148-149.

 

Estabeleça comparação entre os dois textos, considerando a visão, presente em cada um, a respeito da identidade do brasileiro.



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