
I.
PADRE BENITO –É uma criança, você não percebeu? (Referindo-se a Amélia)
PADRE AMARO – Nós sabemos o que estamos fazendo.
PADRE BENITO –Você é padre.
PADRE AMARO – Também sou homem.
PADRE BENITO –Você fez voto de castidade.
PADRE AMARO – Porque fui obrigado.
PADRE BENITO –Vou ter que informar ao bispo.
PADRE AMARO – Não vai dizer nada, padre.
PADRE BENITO –Espere para ver.
PADRE AMARO – Então vou contar o que sei sobre Sanjuanera.
PADRE BENITO –Não é a mesma coisa, droga! Sanjuanera é diferente! A pobre mulher...
PADRE AMARO – É a mesma coisa, padre!
PADRE BENITO –Está me chantageando?
[...]
PADRE AMARO – Posso falar com o senhor, padre?
PADRE BENITO –Para confessar-te?
PADRE AMARO – Não, só conversar.
PADRE BENITO –Você está em apuros, menino. Eu, sim, quero confessar-me. Confesso que pequei, padre.
PADRE AMARO – Ave Maria, puríssima!
PADRE BENITO –Eu menti. Cometi o pecado do orgulho. Abusei da confiança de gente que abriu sua casa para mim. Como Herodes, cortei cabeças de inocentes. Ofendi a Deus. Cometi o pecado da luxúria. [...]
O CRIME do Padre Amaro. 2002. Ficha técnica: Diretor: Carlos Carrera. Produção:
Daniel Birman Ripstein, Alfredo Ripstein Hijo. Roteiro: Vicente Leñero. Fotografia:
Guillermo Granillo. Trilha sonora: Rosino Serrano. Gênero: Drama.
II.
Nando vestiu-se rápido. Sem olhar Winifred nua na cama. Abotoou a batina de alto a baixo. Alisou os cabelos com a mão. Estava pronto. Como sair? Depressa e sem dizer nada. Nando foi para a porta, tocou a maçaneta.
— Nando — disse Winifred.
Nando se voltou, mas Winifred não tinha nada a dizer. Queria ser vista. Isto aqui é um corpo de mulher, está vendo? Não na volúpia e na violência do amor. Mulher tranquila. Te olhando com os olhos [...] atentos.
CALLADO, Antonio. Quarup. 1. ed. especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 85.
Os fragmentos transcritos apontam o Padre Amaro (I) e o Padre Nando (II) transgredindo princípios litúrgicos da Igreja Católica.
a) Construa o perfil dessas personagens, considerando-as em seus respectivos contextos histórico-sociais.
b) Comente a conduta das personagens em diálogo no fragmento I da narrativa fílmica “O Crime do Padre Amaro”, tomando como parâmetro o código de conduta da Igreja em tela e o contexto espaçotemporal do filme.
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