
Belo belo
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
BANDEIRA, Manuel. In: MORICONI, Ítalo. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 93-94.
Responda às questões a seguir com base na leitura do poema de Manuel Bandeira:
a) O último verso apresenta um sentido metafórico para a conta matemática. Explique de que modo essa linguagem produz sentido no poema.
b) Justifique a presença do verso livre no poema e na estética a que pertence a obra poética de Bandeira.
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