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Bahia UFBA 2013.1 Questão: 1 Português Redação Geral 

I.
O poder das palavras é enorme, especialmente o poder de algumas palavras, talvez poucas centenas, que encerram em cada cultura, mais notadamente nas sociedades complexas como as nossas, o conjunto de crenças e valores aceitos e codificados pelas classes dominantes. [...]
 A linguagem pode ser usada para impedir a comunicação de informações para grandes setores da população. Todos nós sabemos quanto pode ser entendido das notícias políticas de um Jornal Nacional por indivíduos de baixo nível de educação. A linguagem usada e o quadro de referências dado como implícito constituem um verdadeiro filtro da comunicação de informações: estas podem ser entendidas somente pelos ouvintes já iniciados não só na linguagem padrão, mas também nos conteúdos a elas associados. [...]

GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988. p. 20-21.

II.
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...

MEIRELES, Cecília. Das palavras aéreas. In:
Obra poética: Romanceiro da Inconfidência.
3. ed. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar
Editora, 1972. p. 493.

III.
A concepção de sujeito da linguagem varia de acordo com a concepção de língua que se adote. Assim, à concepção de língua como representação do pensamento corresponde a de sujeito psicológico, individual, dono de sua vontade e de suas ações.
Trata-se de um sujeito visto como um ego, que constrói uma representação mental e deseja que esta seja “captada” pelo interlocutor da maneira como foi mentalizada.
 Na verdade, porém, este ego não se acha isolado em seu mundo, mas é, sim, um sujeito essencialmente histórico e social na medida em que se constrói em sociedade e com isto adquire a habilidade de interagir. Daí decorre a noção de um sujeito social, interativo, mas que detém o domínio de suas ações.
 Finalmente, a concepção de língua como lugar de interação corresponde a noção de sujeito como entidade psicossocial, sublinhando-se o caráter ativo dos sujeitos na produção mesma do social e da interação e defendendo a posição de que os sujeitos (re)produzem o social na medida em que participam ativamente da definição da situação na qual se acham engajados, e que são atores na atualização das imagens e das representações sem as quais a comunicação não poderia existir.

KOCH, I. G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2005. p. 15.

 

PROPOSTA DE REDAÇÃO

 

       A linguagem verbal é tão natural ao homem como a pele que o reveste, ou como qualquer outra parte de seu corpo. Talvez por conta dessa percepção naturalizadora da realidade, muitos passem ao largo da sua dinâmica e da riqueza que lhe é inerente.
     Num determinado colégio, existe uma insatisfação generalizada em relação ao novo diretor, autoritário e pouco dado ao diálogo. Com base na coletânea acima disponibilizada, produza um texto opinativo a ser publicado, analisando a postura da nova Direção.
     Argumente em favor de uma mudança nas relações da Diretoria com os segmentos discente, docente e administrativo que compõem a comunidade escolar. O ingrediente principal do seu texto deve ser a força das palavras para estabelecer a comunicação desejada entre indivíduos. Lembre-se de que o seu texto deve expressar o descontentamento não apenas seu, mas também da comunidade escolar.

O candidato, em seu texto, poderá desenvolver alguns dos tópicos a seguir:
 
• O diálogo como elemento importante na construção das relações humanas;
• A conversa respeitosa, a troca de opiniões, como a melhor forma de estabelecer relações de convivência;
• A Direção da escola representando um cargo para o qual o diálogo com estudantes, professores e funcionários é fundamental;
• O diretor autoritário adotando a linguagem como mecanismo de opressão.
Deve passar a exercer o diálogo franco e aberto, constituindo uma direção democrática.
• A ambivalência das palavras (elas podem aproximar ou distanciar pessoas).
• A interação social requerendo um diálogo em que os espaços dos diferentes sujeitos sejam respeitados. A escola configurando-se como espaço, por excelência, destinado ao diálogo.

Obs.: Outras abordagens poderão ser aceitas, desde que sejam pertinentes.



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