
I.
Sob as apreensões de uma crise social iminente, infalível, que a todos há de custar direta ou indiretamente onerosos sacrifícios, o povo brasileiro, e particularmente os lavradores, esperam ansiosos, entre receios por certo justificáveis e clamores que se explicam sem desar, o pronunciamento legal e decisivo da solução do problema da emancipação dos escravos.
[...]
Ninguém se iluda, ninguém se deixe iludir. Não há combinação de interesses, não há partido político, não há governo, por mais forte que se presuma, que possa impedir o proceloso acontecimento.
[...]
A voz de Deus, o brado do século da liberdade, a opinião do mundo, o pronunciamento dos governos, o espírito e a matéria, a ideia e a força querem, exigem, e em caso extremo hão de impor a emancipação dos escravos.
MACEDO, Joaquim Manuel de. As vítimas algozes: quadros da escravidão. 4. ed. São Paulo: Zouk, 2005.
p. 7 e 8.
II.
Mané galinha: [...] Você é uma criança!
Menino: — Que criança? Eu fumo, cheiro, já matei, já roubei [...] Eu sou sujeito homem.
CIDADE de Deus (2002). Direção: Fernando Meirelles. Intérpretes: Matheus Nachtergaele e um grupo de
atores, em sua maioria, amadores, moradores da comunidade retratada no filme. Roteiro: Bráulio
Mantovani.
Os fragmentos transcritos dizem respeito à visão ficcional da existência de afrodescendentes no Brasil, em momentos históricos distintos. Teça um comentário sobre as representações do negro brasileiro de ontem e de hoje, focalizadas nas duas obras e identificadas por I e II.
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