WhatsApp do Vestiprovas
Compartilhar

Responder Questão:

Rio de Janeiro UERJ 1999.2 Questão: 5 Português Morfologia Formação das Palavras 

Texto II

CORDÕES

Oh! abre ala!
Que eu quero passá
Estrela d’Alva
Do Carnavá!

 

     Era em plena rua do Ouvidor. Não se podia andar. A multidão apertava-se, sufocada. Havia sujeitos
      congestionados, forçando a passagem com os cotovelos, mulheres afogueadas, crianças a gritar, tipos que
      berravam pilhérias. A pletora da alegria punha desvarios em todas as faces. Era provável que do largo de São
      Francisco à rua Direita dançassem vinte cordões e quarenta grupos, rufassem duzentos tambores, zabumbassem
5    cem bombos, gritassem cinqüenta mil pessoas. A rua convulsionava-se como se fosse fender, rebentar de
     luxúria e de barulho. A atmosfera pesava como chumbo. No alto, arcos de gás besuntavam de uma luz de
     açafrão as fachadas dos prédios. Nos estabelecimentos comerciais, nas redações dos jornais, as lâmpadas
     elétricas despejavam sobre a multidão uma luz ácida e galvânica, que enlividescia e parecia convulsionar os
     movimentos da turba, sob o panejamento multicolor das bandeiras que adejavam sob o esfarelar constante
10  dos confetti, que, como um irisamento do ar, caíam, voavam, rodopiavam. (...) Serpentinas riscavam o ar;
     homens passavam empapados d’água, cheios de confetti; mulheres de chapéu de papel curvavam as nucas à
     etila dos lança-perfumes, frases rugiam cabeludas, entre gargalhadas, risos, berros, uivos, guinchos. Um cheiro
     estranho, misto de perfume barato, poeira, álcool, aquecia ainda mais o baixo instinto de promiscuidade. A rua
     personalizava-se, tornava-se uma e parecia, toda ela policromada de serpentinas e confetti, arlequinar o pincho
15  da loucura e do deboche. Nós íamos indo, eu e o meu amigo, nesse pandemônio. Atrás de nós, sem colarinho,
     de pijama, bufando, um grupo de rapazes acadêmicos, futuros diplomatas e futuras glórias nacionais, berrava
     furioso a cantiga do dia, essas cantigas que só aparecem no Carnaval:

 

Há duas coisa
Que me faz chorá
É nó nas tripa
E bataião navá!

 

(RIO, João do. A alma encantadora das ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.)


Observe a formação dos seguintes vocábulos do texto II: “panejamento” (derivado de “pano”), “irisamento” (derivado de “íris”), “arlequinar” (derivado de “arlequim”) e “pandemônio” (composto de pan + demônio), neologismo criado por Milton, poeta inglês do século XVII, no seu livro O paraíso perdido, para designar o palácio de Satã.

A partir desses exemplos, explique, em até duas frases completas:

A. o emprego conotativo da palavra “pandemônio” (texto II, linha 15) e indique o sentido do morfema “pan-”;
B. como se forma o vocábulo “enlividescia” (texto II - linha 8) e qual a sua classificação quanto ao processo de formação.

A) A palavra “pandemônio” significa, no texto, “confusão”, “gritaria” – algo típico do carnaval de rua. O morfema “pan” significa “todos”, “totalidade”.

B) É formado a partir da palavra “lívido”, com o prefixo “en-” e o sufixo “escer”, por derivação parassintética ( ou parassíntese).



TEMPO NA QUESTÃO

Relógio00:00:00

Gráfico de barras Meu Desempenho

Português Morfologia

Total de Questões: ?

Respondidas: ? (0,00%)

Certas: ? (0,00%)

Erradas: ? (0,00%)

Somente usuários cadastrados!

Postar dúvida ou solução ...