
Leia o texto a seguir.
Quando se imaginava que toda a produção literária do poeta Carlos Drummond de Andrade era conhecida, uma raridade de sua autoria chega às livrarias. Sob o nome de “Os 25 Poemas da Triste Alegria”, a obra inédita reúne os primeiros trabalhos do autor - ela foi encadernada por ele, em 1924, quando tinha 22 anos. O que o leitor terá em mãos, contudo, não é esse trabalho inaugural, mas uma “edição comentada”. As notas, escritas às margens dos poemas datilografados, datam de 1937. Ou seja: foram feitas quando Drummond já era um autor consagrado. Apesar do tom saudosista de seus comentários, Drummond é duro na avaliação
da obra. Em “A Sombra do Homem que Sorriu”, Drummond se vale de uma virulenta acidez: “O que há de deplorável nestes versos é que eles são autênticos. É impossível não ter pena do pobre poeta que os escreveu”.
Eis os versos:
Ah! Que os tapetes não guardem
a sombra inútil dos
meus passos...
Eu quero ser, apenas,
um homem que sorriu
e que passou,
erguendo a sua taça,
com desdém.
(Adaptado de: NOGUEIRA, M. D. Drummond inédito. Isto é. São Paulo, n.2222, p.104, 13 jun. 2012.)
Diante do posicionamento crítico adotado por Drummond em relação a seus primeiros versos, o que você diria ao hoje consagrado poeta? Utilize, entre 8 e 10 linhas, o discurso direto para posicionar-se a respeito.
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