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Goiás UEG 2012.2 Questão: 11 Português Geral 

Leia o texto para responder às questões de 7 a 11.

Sapo da Amazônia lança jato venenoso sobre seus inimigos

1         “Não precisa se preocupar. Esse aí já ficou de manso com o tempo de cativeiro”, diz Carlos Jared,
2        pesquisador do Instituto Butantan, segurando o sapo-cururu amarronzado. O fotógrafo encarregado de
3        clicar o bicho não parece lá muito convencido e prefere manter uma distância respeitosa. É até uma
4        atitude prudente quando o sujeito fica sabendo que o sapo em questão é capaz de esguichar veneno –
5        mirando, ainda por cima – a uma distância de cerca de 2 metros.

6        Jared e seus colegas são os responsáveis por dar algum peso científico à lenda urbana (bem, está mais
7        para lenda rural) de que cururus são capazes de acertar as fuças de um inimigo (caboclos inclusive) com
8        jatos de veneno.

9        No caso da maioria dos cururus, isso continua sendo mentira – é preciso que um predador morda a
10       criatura para que o veneno, armazenado em glândulas atrás dos olhos, caia na boca do agressor,
11      podendo até matá-lo.

12      Mas o Rhaebo gutatus, espécie com ampla distribuição na Amazônia e conhecida desde o século 18, de
13      fato é capaz da façanha. Jared e seus colegas suspeitam que se trate de uma defesa contra predadores
14      que usam a visão, como mamíferos, aves – e, talvez, gente.

15      Tudo indica que se trata da única espécie de sapo com esse mecanismo ativo de defesa, que dispara
16      quando o bicho, normalmente discreto com sua coloração de folha seca, sente-se ameaçado.

17      O responsável por documentar pela primeira vez o comportamento inusitado foi Miguel Trefaut Rodrigues,
18      herpetólogo (especialista em anfíbios e répteis) da USP. Ele viu os esguichos no Acre, mas exemplares da
19      espécie dão o mesmo show nas matas do Tocantins. Antes de lançar os jatos, o bicho tenta intimidar o
20      inimigo esticando as patas da frente, enchendo os pulmões de ar, abrindo e fechando a boca repetidas
21      vezes, inclinando o corpo e mirando as glândulas na direção do agressor.

22      É a pressão do ombro do batráquio contra a cabeça que acaba abrindo os plugues que tapam as
23      glândulas. O veneno deflagra um processo inflamatório, mas não é letal.
24      A pesquisa sobre o animal está na revista científica “Amphibia-Reptilia”.

LOPES, José Ronaldo. Sapo da Amazônia lança jato venenoso sobre seus inimigos. Folha de
S. Paulo, São Paulo, 11 mar. 2012. Ciência. Disponível em: <http://www.folha.uol.com.br/
fsp/ciencia/30555-sapo-da-amazonia>. Acesso em: 13 mar. 2012. (Adaptado).

 

A afirmação “Tudo indica que se trata da única espécie de sapo com esse mecanismo ativo de defesa” encontra- se em oposição de sentido a:



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