
IV
Não fora de meus pais nem de antigos pastores
que herdei essa alegria ao ir por entre as árvores.
Nos troncos como a ler nomes de meus amores.
Nas folhagens, a paz de um hino inscrito em mármore.
De tanto errar em vão não haverá pedreira
que na palma da mão eu já não tenha escrita.
Príncipe condenado a, sem eira nem beira,
buscar o próprio reino, eu busco o que me habita.
Mesmo os céus, velhos céus que me foram negados
quando as nuvens que eu quis para passear a infância,
do muito que os pisei já gastei meus calçados,
e muito além dos céus ficam a margens da ânsia.
Nos rios e no mar perdi minhas raízes.
O arco-íris, se o contemplo, enreda outros matizes.
SOUSA, Afonso Félix de. Nova antologia poética. Goiânia: Editora da UFG, 1991. p. 104.
Quanto ao sujeito lírico, o poema trata de sua
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