
A princípio tudo correu bem, não houve entre nós nenhuma divergência. A conversa era longa, mas cada um prestava atenção às próprias palavras, sem ligar importância ao que o outro dizia. Eu por mim, entusiasmado com o assunto, esquecia constantemente a natureza de Gondim e chegava a considerá-lo uma espécie de folha de papel destinada a receber as idéias confusas que me fervilhavam na cabeça.
O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentoume dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que zanguei.
– Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo.
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1985, p. 8-9.
O trecho acima remete a uma das tentativas de escritura de São Bernardo. Na ocasião, o debate travado entre Paulo Honório e Azevedo Gondim espelha, acerca da literatura brasileira, as seguintes visões críticas:
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