
“Fico desesperada quando a comida não dá. Quem está na cozinha é quem sente a dor de cabeça, vendo o povo pra comer e a comida sem dar pra todo mundo. É difícil fazer uma sopa com a metade de um pacote de macarrão para dividir com 8 pessoas. Eu afino a sopa. Afino... mas não tem jeito. Os filhos, de 13 e 15 anos, são comedores, não se conformam com pouco. Aí dá dor de cabeça. A parte da mulher esquenta muito. Se não usar bem com o juízo, se atrapalha. Brigo, reclamo o tempo todo. Reclamo para o marido e para os filhos, porque não vou morrer calada. O marido pergunta: nós vamos fazer o quê? Aí, ele sai pra comprar fiado. Quando ele consegue, fico satisfeita. Só quem sabe o que tá precisando, se a comida vai dar, o que vai faltar, é a mulher. Tem hora que olho pro velho, que tem mais idade do que eu, e digo: tu tá mais novo do que eu. Ele sorri e diz: é, você se aperreia muito.”
(Mulher entrevistada do município de Patos-PB.)
Fischer, Izaura Rufino e Albuquerque, Lígia. A mulher e a emergência da
seca no Nordeste do Brasil. Trabalhos para Discussão. Nº 139/2002 Julho-2002
- Fundação Joaquim Nabuco. http://www.fundaj.gov.br/tpd
A partir do relato que convida à reflexão sobre o papel da mulher nas famílias que habitam a zona rural do sertão semiárido, sua relação com a seca e o estado de pobreza vivido por estas populações, analise as afirmações a seguir.
I.Geralmente no semiárido rural do Nordeste brasileiro, cabe à mulher a tarefa de gerenciar o alimento cotidianamente e ao homem a função econômico-social de produzi-lo e prover a família.
II.De maneira geral, a mulher chefe de família do semiárido rural brasileiro enfrenta mais dificuldades que os homens, porque assume o núcleo familiar sozinha.
III.Os efeitos dos longos períodos de estio não afetam igualmente a população e o território do semiárido.
Está correto o que se afirma em
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