TEXTO 1
- As câmeras de vigilância estão em todos os lugares.
- No começo, a novidade incomodava, evocava
- um mundo controlado, totalitário. Mas logo nos demos
- conta de que elas inibem e esclarecem crimes, ajudam
- em coisas prosaicas, como controlar o trânsito.
- É uma vigilância barata, segura, muitas mais virão.
- Porém, a presença de câmeras na escola coloca
- outras questões. O objetivo seria o mesmo, proteger
- e prevenir. As intenções são louváveis, mas não se
- pode ignorar um fator fundamental: a escola é a
- primeira socialização não controlada pelos pais e é
- necessário que assim seja. Com o olhar vigilante e
- onipresente da família não se cresce. Crescemos
- quando resolvemos sozinhos nossos problemas,
- quando administramos entre os colegas as querelas
- nem sempre fáceis. Entre as crianças, inúmeras
- rusgas se resolvem sozinhas, os pais nem fi cam
- sabendo, e é ótimo que assim seja.
- O bullying deve ser combatido, mas não dessa
- forma. O preço a pagar pela suposta segurança compromete
- a essência de uma das funções da escola,
- que é aprender a viver em sociedade sem os pais e
- a sua proteção, evocada pela presença da câmera.
- Na sala de aula e no pátio da escola cada um
- vale por si. É preciso aprender a respeitar e ser respeitado.
- Nós todos já passamos por isso e sabemos
- como era difícil. Não existe outra forma, é isso ou a
- infantilização perpétua. A transição da casa para
- a escola nunca vai ser amena.
- Essa proposta de vigilância não se ancora em
- razões pedagógicas, e sim na angústia dos pais em
- controlar seus fi lhos. Não creio que seja a escola que
- reivindica câmeras, mas quem a paga. São os pais
- inseguros que querem estender seu olhar para onde
- não devem. Existe uma correlação forte entre pais
- controladores e fi lhos imaturos, adolescentes eternos
- que demoram para assumir responsabilidades. É
- possível cuidar dos nossos fi lhos mesmo permitindo
- a eles experiências longe dos nossos olhos. A escola
- é deles, esse é o seu espaço e seu desafi o.
CORSO, Mário. Câmeras na escola. Zero Hora, 05/06/2013. (fragmento adaptado)
TEXTO 2
- Ninguém se surpreendeu com a notícia de que Washington
- possui um poderoso sistema de espionagem,
- mas a revelação de sua amplitude por Edward Snowden
- criou um escândalo planetário. Nos Estados Unidos, a
- novidade foi recebida com apatia. Estão distantes os
- dias em que as escutas telefônicas provocavam a ira
- da população.
- As revelações de Edward Snowden sobre a amplitude
- do programa de vigilância eletrônica da Agência de
- Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) levantam
- a questão da intromissão das agências de inteligência
- dos Estados Unidos na vida dos cidadãos. Contudo,
- para além do registro de metadados a partir de linhas
- telefônicas e da navegação na internet, esse caso revela
- outra realidade, também preocupante: a maior parte dos
- norte-americanos aprova o controle das comunicações
- eletrônicas privadas. ___________________________
- ____________________________________.
- Esse consentimento perante a espionagem nem
- sempre existiu nos Estados Unidos. Algumas semanas
- antes do atentado de 11 de setembro de 2001, o jornal
- USA Today publicava a manchete: “Quatro em cada dez
- norte-americanos não confi am no FBI” (20 jun. 2001).
- Durante décadas, estudos sucessivos da Secretaria de
- Justiça mostraram a forte oposição da população às
- escutas telefônicas pelos poderes públicos. Entre 1971 e
- 2001, a taxa de desconfi ança chegou a fl utuar entre 70%
- e 80%. Mas os atentados contra o World Trade Center e
- o Pentágono e, em seguida, a guerra contra o terrorismo
- empreendida por George W. Bush mudaram o cenário
- e conduziram os norte-americanos a reconsiderar bruscamente
- a oposição secular à vigilância de cidadãos.
- Após um século de grande oposição, a sociedade
- norte-americana aprendeu a renunciar a seu direito à
- confi dencialidade. Para grande parte da população –
- sem lembranças desse passado não muito distante –, o
- medo do terrorismo amplamente difundido e a promessa
- de respeito aos direitos dos “inocentes” tornaram-se
- mais importantes que as aspirações à proteção da vida
- privada e das liberdades civis. O “deserto do esquecimento
- organizado”, segundo a expressão do sociólogo
- Sigmund Diamond, deixa o caminho livre para aqueles
- que desejam manter a ordem estabelecida.
PRICE, David. Caso Snowden: a história social das escutas telefônicas. (fragmento) In: www.noticiasdabahia.com.br, publicado em 21/08/2013.
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 30, analise as afi rmações a seguir sobre a forma e o conteúdo dos textos 1 e 2, e preencha os parênteses
com V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) O texto 1, mais subjetivo, fundamenta o ponto de vista desenvolvido em argumentos do senso comum.
( ) O texto 2, fortemente marcado no tempo, mobiliza conhecimentos prévios mais específi cos do leitor.
( ) No texto 2, as sequências narrativas estão a serviço da argumentação.
( ) Ambos os textos valem-se da opinião de outros autores.
( ) Ambos os textos são notícias, pois partem de um acontecimento particular para discutir questões mais amplas.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é