INSTRUÇÃO: Responder às questões 21 a 30 com base no texto a seguir.
- Não tive acesso ao conteúdo do livro “Por uma
- vida melhor”, apenas a pequenos trechos. Portanto,
- falo com base em informações e opiniões de terceiros.
- Nessa perspectiva, vejo como positivo o debate que
- a abordagem pouco ortodoxa dos autores desencadeou,
- pondo fogo a um tema em geral tido como
- irrelevante: a língua materna em uso. Entretanto,
- um trecho da obra me preocupou, e destaco: “Posso
- falar ‘os livro’?” “Claro que pode, mas dependendo
- da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito
- linguístico”.
- Para começar, pedir licença para falar de um determinado
- jeito é um tiro no pé da tese defendida em
- “Por uma vida melhor”. Porque pedir licença, neste
- contexto, é reconhecer o poder do outro sobre nós –
- o que parece ser exatamente o contrário do que os
- autores pregam. Além disso, a resposta “Claro que
- pode” é inócua: o aluno tanto sabe que pode que usa
- essa concordância rotineiramente.
- O problema maior, bem mais sutil e muito mais
- complicado, porém, está na segunda parte da fala.
- Agir livre de preconceito, o oposto de fazer alguém
- “vítima de preconceito”, implica não só aceitar as
- pessoas como são, mas também acreditar que todos
- sejam capazes de evoluir por méritos próprios. Ao
- afirmar que a modalidade “permitida” pode vitimizar
- quem a utiliza – pela ação do “outro ameaçador” –, os
- autores estão deslocando o foco da importância
- de construir conhecimento de modo autônomo
- e reflexivo e enfatizando o julgamento alheio,
- novamente reforçando o preconceito. Ora, aula de língua
- materna é aula de cidadania, e ninguém se torna
- cidadão por receio do “outro ameaçador”. O aluno deve
- ter oportunidade de conhecer e desenvolver múltiplas
- linguagens porque assim ele poderá expressar ideias
- e sentimentos com mais autonomia. E, talvez, com
- menos preconceito.
- Tudo isso pode parecer muito sutil, mas a linguagem
- é feita de sutilezas, para o bem ou para o mal.
Marisa M. Smith. PUCRS, Notícias FALE, junho, 2011.
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 29, considere as afirmativas sobre uso de pronomes no texto.
1. “nós” (linha 15) e “outro” (linha 27) apresentam sentido genérico no texto.
2. O pronome “Ele” poderia ser usado em lugar de “O aluno” (linha 33) sem prejuízo para o sentido e a correção do texto, porque esses termos são iguais em gênero e número.
3. “Tudo” (linha 38) reforça o sentido de “isso”, na mesma linha.
4. No primeiro parágrafo, predomina a primeira pessoa do discurso; nos demais, a terceira pessoa.
Estão corretas apenas as afirmativas