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Paraná Puc-PR 2013.1 Questão: 49 Literatura Teoria Literária 

 

 

 

Leia atentamente o trecho a seguir, retirado de Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

“FALA INICIAL

Não posso mover meus passos, por esse atroz labirinto de esquecimento e cegueira em que amores e ódios vão: - pois sinto bater os sinos, percebo o roçar das rezas, vejo o arrepio da morte, à voz da condenação; - avisto a negra masmorra e a sombra do carcereiro que transita sobre angústias, com chaves no coração; - descubro as altas madeiras do excessivo cadafalso e, por muros e janelas, o pasmo da multidão. Batem patas de cavalos. Suam soldados imóveis. Na frente dos oratórios, que vale mais a oração? Vale a voz do Brigadeiro sobre o povo e sobre a tropa, louvando a augusta Rainha, - já louca e fora do trono - na sua proclamação. Ó meio-dia confuso, ó vinte-e-um de abril sinistro, que intrigas de ouro e de sonho houve em tua formação? Quem ordena, julga e pune? Quem é culpado e inocente? [...]”

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I. Quanto os seus significados, o texto do Romanceiro da Inconfidência tem um duplo direcionamento temporal. De um lado, ele é
voltado ao passado na recuperação do heroísmo dos insurgentes da conjuração mineira em sua luta contra a repressão do império português. De outro, ele remete ao momento da sua escrita, sendo um libelo a favor da luta pela democratização do Brasil em face da ditadura militar que se instalou no Brasil a partir de 1964. Os inconfidentes são uma referência metafórica aos participantes dos movimentos contra a repressão, dos quais Cecília Meireles, com uma participação ativa – como militante comunista -, era declaradamente uma simpatizante.

II. Na “Fala Inicial”, poema que abre o Romanceiro, há referência às mortes verificadas no movimento da Inconfidência Mineira. A posição do eu lírico é a de destacar, por meio da heroização dos envolvidos e do rigor da repressão que sofreram o caráter de “martírio” dessas mortes. Ao mesmo tempo, os poderosos – responsáveis pela sufocação do levante – são vistos como criaturas
obscuras, os verdadeiros agentes da morte.

III. Nos versos “Ó meio-dia confuso,/ ó vinte-e-um de abril sinistro”, verifica-se uma retomada do passado histórico na referência ao dia do enforcamento de Tiradentes, que é um dos personagens destacados na narrativa que se faz no poema. Mas além dele, também outros envolvidos “menores” (ou menos conhecidos) na conjuração mineira são apresentados pelo texto com estima e respeito.

IV. O texto é lamentoso e dotado de um tom fúnebre, dando destaque às mortes ocorridas dos dois lados do combate. Os insurgentes, embora tenham sido derrotados ao final – por lutarem pelas causas abolicionista e republicana no contexto da exploração do ouro no nordeste brasileiro –, se defenderam dos ataques das tropas de repressão, praticando atos de guerrilha que resultaram em muitas baixas do lado do império. É desse quadro geral de morticínio que a voz poética se lamenta ao longo do texto.

Estão corretas APENAS as afirmações:

 

 

 



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