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São Paulo INSPER 2012.2 Questão: 16 Português Interpretação de textos 

A lógica do humor
 
Piada racista termina com polícia em casa de shows. É engraçado gozar de minorias? Até onde se pode chegar para fazer os outros rirem? Aliás, do que rimos?  
De um modo geral, achamos graça quando percebemos um choque entre dois códigos de regras ou de contextos,  todos consistentes, mas  incompatíveis entre si. Um exemplo: "O masoquista é a pessoa que gosta de um banho frio pelas manhãs e, por isso, toma uma ducha quente".  
Cometo agora a heresia de explicar a piada. Aqui, o  fato de o  sujeito da anedota  ser um masoquista subverte a lógica normal: ele faz o contrário do que gosta, porque gosta de sofrer. É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria. Uma variante no mesmo padrão é: "O sádico é a pessoa que é gentil com o masoquista".  
Essa "gramática" dá conta da estrutura intelectual das piadas, mas há também dinâmicas emocionais.
Kant, na "Crítica do Juízo", diz que o riso é o resultado da "súbita  transformação de uma expectativa tensa em nada". Rimos porque nos sentimos aliviados. Torna-se plausível rir de desgraças alheias. Em alemão, há até uma palavra para isso: "Schadenfreude", que é o sentimento de alegria provocado pelo sofrimento de terceiros. Não necessariamente estamos felizes pelo infortúnio do outro, mas sentimo-nos aliviados com o fato de não sermos nós a vítima.  
Mais  ou menos  na mesma  linha  vai  o  filósofo  francês Henri Bergson. Em  "O Riso",  ele  observa  que muitas  piadas  exigem  "uma  anestesia momentânea  do  coração". Ou  seja,  pelo menos  as  partes mais primitivas de nosso  eu acham graça  em  troçar dos outros. Daí os  inevitáveis  choques  entre humor  e adequação social.  
Como  não  podemos  dispensar  o  riso  nem  o  combate  à  discriminação,  o  conflito  é  inevitável.  Resta torcer para que seja autolimitado. Não deixaremos de rir de piadas racistas, mas não podemos esquecer que elas colocam um problema moral.

 

(Hélio Schwartsman, Folha de São Paulo, 16/03/2012)

Considere a definição feita a seguir.

“Em suma: toda declaração (ou juízo) que expresse opinião pessoal ou pretenda estabelecer a verdade só  terá  validade  se  devidamente  demonstrada,  isto  é,  se  apoiada  ou  fundamentada  na  evidência  dos fatos, quer dizer, se acompanhada de prova.”
(GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: FGV, 1999.)
 
Dos trechos a seguir, aquele que pode ser interpretado como prova de uma declaração feita no texto de
Hélio Schwartsman, tornando-a válida, é



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