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São Paulo INSPER 2012.1 Questão: 1 Português Interpretação de textos 

Segurança


O  ponto  de  venda mais  forte  do  condomínio  era  a  sua  segurança. Havia  as  belas  casas,  os  jardins, os
playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.
Toda  a  área  era  cercada  por  um  muro  alto.  Havia  um  portão  principal  com  muitos  guardas  que
controlavam  tudo  por  um  circuito  fechado  de  TV.  Só  entravam  no  condomínio  os  proprietários  e  visitantes
devidamente identificados e crachados.
Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.
Os  condôminos  decidiram  colocar  torres  com  guardas  ao  longo  do  muro  alto.  Nos  quatro  lados.  As
inspeções  tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar
crachá. Os proprietários e seus  familiares  também. Não passava ninguém pelo portão sem se  identificar para a
guarda. Nem as babás. Nem os bebês.
Mas os assaltos continuaram. Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.
Mas os assaltos continuaram. Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio  de  alta  tensão,  e  as  patrulhas,  e  os  cachorros,  e  a  segunda  cerca,  de  arame  farpado,  erguida  dentro  do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.  
Mas os assaltos continuaram. Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no  condomínio  no  banco  de  trás  do  carro  de  um  proprietário,  com  um  revólver  apontado  para  a  sua  nuca. Assaltaram  a  casa,  depois  saíram  no  carro  roubado,  com  crachás  roubados.  Além  do  controle  das  entradas, passou  a  ser  feito  um  rigoroso  controle  das  saídas. Para  sair,  só  com  um  exame  demorado  do  crachá  e  com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.
Mas os assaltos continuaram. Foi  reforçada  a  guarda. Construíram  uma  terceira  cerca. As  famílias  de mais  posses,  com mais  coisas para  serem  roubadas, mudaram-se para uma  chamada área de  segurança máxima. E  foi  tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.
E ninguém pode sair. Agora,  a  segurança  é  completa.  Não  tem  havido  mais  assaltos.  Ninguém  precisa  temer  pelo  seu
patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. Mas surgiu outro problema.
As  tentativas de  fuga. E há motins  constantes de  condôminos que  tentam de qualquer maneira atingir a liberdade. A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 97-99)

 
Analise estas afirmações sobre a crônica “Segurança”.
 
I – Considerando-se as características desse gênero textual, o título mostra-se incoerente em relação ao contexto.
II  –  Verifica-se  efeito  de  humor,  típico  de  crônicas,  na  passagem  “Não  passava  ninguém  pelo  portão  sem  se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.”
III  –  A  sucessiva  instalação  de  aparatos  de  segurança  demonstra  a  impotência  dos  moradores  em  relação  à
proteção do patrimônio.

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