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Rio de Janeiro IFRJ 2013.2 Questão: 1 Português Geral 


Texto I

Juventude, participação e cidadania: que papo é esse?

Juventude, cidadania e participação: que papo é esse? Pode ser um papo furado, que não leva a nada. Pode ser que não renda, que seja insuficiente em termos de contribuição à democracia ou de questionamento dos padrões da cultura brasileira. Se a juventude repetir apenas uma maneira usual de fazer política, de disputar espaços, ela não irá mudar coisa alguma. Não estamos falando apenas de uma questão de faixa etária, mas sim de uma mudança de olhar a sociedade. Este papo pode render muito. Pode render, sim, com muitos desafios. Essa mudança não é nada automático, nada mágico, mas pode ser um importante elemento construtor de democracia, de uma sociedade mais justa de direitos. Acho que essa pergunta “que papo é esse?” poderia ser substituída por “que onda é essa?”, “que moda é essa?” Por que está na moda falar em políticas públicas para a juventude? Por que se inventou agora que a juventude é depositária de todas as possibilidades? Não é por acaso que hoje, ao final do século XX e início do século XXI, um novo ator social [a juventude] aparece na cena pública, como a questão racial e a das mulheres já apareceram. Por que agora a juventude aparece? Infelizmente, não é por uma coisa boa. Poderia ser por reconhecimento, mas não é. A questão da juventude vem para a cena pública quando ela passa a ser o segmento mais vulnerável frente às mudanças sociais que acontecem no mundo de hoje. Quando a gente soma, em especial no Brasil, uma história de desigualdades sociais e de exclusão com uma realidade mundial de mudanças de relações de produção e de exclusão de grupos sociais, a juventude torna-se o segmento mais atingido. É por isso que a juventude aparece, atualmente, como um ator social, enfrentando diversos desafios da sociedade contemporânea. A grande questão é que o jovem dos dias atuais tem medo de sobrar. A sua inserção produtiva não está garantida. Vocês poderão dizer que sempre foi assim. Sempre existiu o jovem pobre e o jovem rico, o jovem incluído e o excluído. Sim, isto é verdade. Acontece, porém, que tínhamos um sistema de produção que garantia uma reprodução: o filho do camponês continuaria o trabalho do pai, da mesma forma que o filho do operário. Era injusto porque o jovem não tinha possibilidade de ascender socialmente, mas havia a possibilidade de pensar o futuro a partir de um lugar social. Aqueles que estudavam, que passavam no funil, tinham a garantia que poderiam exercer a sua profissão ao final dos estudos. Com a mudança do mundo do trabalho, cada vez mais restritivo e mutante, os jovens foram e são atingidos, de forma que todos os jovens passaram a ter medo do futuro. Neste cenário, temos que ver todas as diferentes juventudes e suas questões sociais e raciais, suas questões de gênero e opções/orientações sexuais. Estamos diante de uma geração que é atingida na possibilidade de pensar o futuro a partir de mudanças estruturais da sociedade. Outro ponto importante é o medo de morrer de uma maneira prematura e violenta. O jovem de hoje conhece a morte de pares. Tradicionalmente, toda ideia da juventude é a de que a morte está longe. A vida humana é concebida de forma similar à vida das plantas: nasce, cresce, desenvolve e morre; é o ciclo da vida. Acontece que a juventude dos nossos dias convive com a morte de seus pares. São seus irmãos, primos, vizinhos que morrem, na maioria das vezes, por armas de fogo ou acidentes de trânsito. A questão da violência tem causas locais e internacionais, e há três elementos fundamentais que configuram este cenário: a indústria bélica, o tráfico de drogas e o despreparo das polícias. Hoje nenhum jovem de uma grande cidade, como o Rio de Janeiro, seja das camadas populares ou das classes mais favorecidas, sai para o lazer noturno sem pensar na hipótese de que ele não voltará para a casa. Temos, portanto, marcos geracionais que dizem respeito à inserção produtiva e ao fato de poder projetar sua própria vida. Esses marcos exigem políticas públicas. As políticas surgem no momento em que uma geração tem problemas diferentes de outras. A juventude é uma fase da vida que já não é mais a infância, sob a proteção dos pais, nem ainda se construiu uma nova família. Esse momento de passagem exige direitos universais e direitos específicos que dizem respeito a esta faixa etária. As políticas públicas têm que somar estas duas coisas: os direitos universais (o acesso à educação, ao trabalho etc.) e os específicos, considerando uma nova interface entre escolaridade e preparação para o mundo do trabalho. O Estado tem que ter o compromisso de fazer as suas políticas macro, mas precisa fazer isto com a sociedade civil para que cada um participe, transformando a política de juventude numa política de Estado, não de governo. O que tentamos fazer hoje é colocar duas palavras na roda: direitos e oportunidades. Entretanto, para que tudo isto aconteça e para que este papo seja produtivo e dê resultado positivo, dependemos muito da ação de propagar na sociedade a perspectiva geracional, desafio bastante complicado. Quem entra no movimento feminista milita a vida inteira como mulher, jamais sai deste lugar. Quem entra no movimento racial passa a vida toda nessa condição. A questão da juventude é uma questão marcada por uma faixa etária específica, portanto, ela não pode ser pensada sem levar em conta a relação intergeracional. Os jovens e os adultos se colocam em todos os espaços sociais. É preciso que os jovens consigam aprender com os adultos valores da cidadania que são trazidos pela história social do país. Os jovens não podem achar que estão começando do zero. É preciso promover um diálogo intergeracional, um diálogo que traz valores. Os jovens precisam escutar os adultos e vice-versa, o que provocará um aprendizado mútuo. Só sabe o que é ser jovem hoje quem é jovem. Os adultos de hoje foram jovens em outro tempo histórico. Por fim, é necessário também que haja um diálogo intrageracional. Esse é o maior desafio porque as tribos existem, os grupos são heterogêneos e têm objetivos diferentes. Precisamos encontrar o que une esta geração e a partir daí desenvolver políticas públicas. Estabelecer diálogos é difícil, sobretudo porque, muitas vezes, os jovens reproduzem os preconceitos e os 'faccionalismos' dos adultos. Esta geração tem uma chance de inovar na cultura política, inovar a partir de seus interesses e de uma forma que traga aprendizados até mesmo para os adultos.

Regina Novaes. Disponível em: http://www.revistapontocom.org.br/edicoes-anteriores-artigos/juventude-participacao-ecidadania-que-papo-e-esse. Adaptado. Acesso em 19 ago. 2013.

O título do texto I é uma frase interrogativa em estilo informal. Este procedimento, por parte da autora, objetiva



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