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Rio de Janeiro IFRJ 2012.2 Questão: 7 Português Geral 

Tráfico de água doce brasileira
Chico Terra

Até pode parecer ficção, mas é coisa séria: estão roubando água doce do Brasil. A hidropirataria — como é chamado o tráfico de água brasileira para outros países — é um assunto pouco conhecido de muitos, mas já observado e estudado por pesquisadores, inclusive da Petrobras. O assunto é tão sério que hoje uma audiência pública discute medidas contra o tráfico de água doce de rios brasileiros. De acordo com denúncia da revista jurídica Consulex 310, de dezembro de 2009, é grande o interesse pela fartura da água brasileira, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50). Logo, a lucratividade do negócio está no custo do tratamento dessa água. Empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalham com um custo por litro tratado muito inferior aos processos de dessalinização de águas subterrâneas ou oceânicas. Além disso, livram-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente dos rios europeus. Longe de qualquer sensacionalismo, é preciso observar alguns dados para reflexões mais profundas. Para isso, basta comparar os preços entre os derivados de petróleo, como a gasolina e o diesel, com o valor da água mineral vendida aqui mesmo no Brasil. Ainda de acordo com a revista, o transporte internacional de água já é realizado por meio de grandes petroleiros, que saem de seus países de origem carregados de petróleo e retornam com água. Exemplo disso são os navios-tanque que partem do Alasca (Estados Unidos) — primeira jurisdição a permitir a exportação de água — com destino à China e ao Oriente Médio carregando milhões de litros de água. Estimativas apontam que cada embarcação é abastecida com 250 milhões de litros de água doce para engarrafamento. A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobras e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação desse novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. Segundo a Consulex 310, a ausência de fiscalização facilita o contrabando da água brasileira que é feita por petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságue do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Nesse lugar, a profundidade média é em torno de 50m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia é considerada a grande reserva de água do planeta para os próximos mil anos. Cálculos apontam que 12% da água doce de superfície se encontra no território amazônico. Mas algumas estimativas são menos conservadoras e defendem que 26% da água do planeta estaria aqui. Apenas 3% dos dois terços de água de nosso planeta são de água doce, isso sem excluir o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras, e acrescido das águas subterrâneas. Atualmente, a água em estado líquido representa menos de 1% desse total disponível. Existem previsões que dizem que, num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos. Por esse prisma, a região Amazônica — por ter a maior bacia de água existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes — se torna um ponto estratégico. As águas amazônicas representam 68% de todo o volume hídrico existente no Brasil. Entre 1970 e 1995, a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% e, atualmente, cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso à água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Rio Congo podem ser qualificados como limpos.

Disponível em: < http://www.portosenavios.com.br/site/noticiario/navegacao/3856-trafico-de-agua-doce-brasileira-e-tema-deaudiencia-publica-em-brasilia> Acesso em: 04 out. 2011. (Adaptação)

Neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente.

Assinale a alternativa que apresenta um neologismo.



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