
Texto 01

Texto 02
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. − Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isso não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos em redor dos bichos moribundos. − Anda, excomungado. O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém por sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.
RAMOS, G. Vidas secas. São Paulo: Record, 1997, p. 9.
Sobre os textos 01 e 02, analise os enunciados a seguir:
I. A foto Retrato de menina sem-terra e o romance Vidas secas estabelecem um diálogo temático.
II. O fotógrafo interpreta o mundo e o recorta com seu olhar. O narrador procede de forma semelhante ao recriar o real.
III. A ênfase da 2ª fase do Modernismo desloca-se para a linguagem, que deve ser seca, econômica, concisa, como em G. Ramos.
IV. As crianças “sem nome” do livro Vidas secas e Retrato de menina sem-terra, podem representar milhares de crianças sem posses.
V. Não podemos associar os textos, pois a fotografia refere-se a coisas do mundo real e a literatura, a fatos que existem exclusivamente no texto.
Pode-se afirmar que:
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