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Goiás IFG 2013.1 Questão: 65 Português Redação Geral 

REDAÇÃO

Tema: O BRASIL PRECISA DE HERÓIS?


PROPOSTAS

PROPOSTA 01: ARTIGO DE OPINIÃO
    O artigo de opinião é um gênero textual que possui o objetivo de convencer o leitor a aceitar uma ideia defendida pelo autor sobre uma questão polêmica. Portanto, ao escrever um artigo, o autor assume uma posição, defende-a com fatos e argumentos e dialoga com diferentes pontos de vista que circulam sobre a polêmica. No final, ele diz o que as pessoas podem fazer para ajudar e reafirma sua posição. Sabendo disso, redija um artigo de opinião para ser publicado em uma revista de circulação nacional. Em seu texto, você deverá apresentar uma reflexão crítica sobre o tema: O Brasil precisa de heróis? Lembre-se de que a sua argumentação deverá explorar as ideias apresentadas em alguns textos da coletânea.
    Apesar de ser um artigo de opinião, não assine o texto.

PROPOSTA 02: CARTA DE LEITOR
    A carta de leitor é um gênero que atende a diversos propósitos comunicativos, como opinar, elogiar, reclamar, reivindicar, criticar, entre outros. Encontrada frequentemente no meio jornalístico, a carta de leitor apresenta um comentário e/ou opinião sobre determinado assunto lido nos periódicos. A argumentação e a interlocução presentes nesse texto têm por finalidade convencer o leitor sobre determinado ponto de vista.
    Considere-se um leitor de jornal e, após ter lido vários textos que discutem o tema O Brasil precisa de heróis?, você decide escrever uma carta de leitor direcionada para Roberto Shinyashiki, entrevistado no texto 3, concordando e/ou discordando da opinião e do posicionamento do autor sobre as ideias apresentadas e direcionadas à temática em discussão. Considere as ideias contidas nos textos presentes na coletânea como argumentos e contra-argumentos a serem utilizados em sua carta. Apesar de ser uma carta de leitor, você não deve assiná-la.

PROPOSTA 03: CRÔNICA
    A crônica é um gênero que retrata os acontecimentos da vida em tom despretensioso, ora poético, ora filosófico, muitas vezes divertido. Em geral, capta um momento, um flagrante do dia a dia, para destacar não o fato em si, mas a interpretação dele. Sua função pode ser a de divertir, sensibilizar ou humanizar. Sabendo disso, redija uma crônica.
    Escolha um ponto de vista: você pode escrever na primeira pessoa e se transformar em parte da narrativa – ser o autorpersonagem – ou ficar de fora e escrever na terceira pessoa – ser o autor-observador. Narre um momento, um acontecimento ou episódio do dia a dia, e a partir daí discuta e reflita sobre o tema: O Brasil precisa de heróis? Seu tom pode ser poético, humorístico, irônico ou reflexivo. “Converse” com um leitor comum. Elabore um título sugestivo, que mobilize o leitor. Lembre-se de explorar as ideias apresentadas em alguns textos da coletânea e não assine o texto.

 

TEXTO 01
Precisa-se de heróis.
Tino Moraes

    Brasil, um país que necessita de heróis. Isso acontece porque o brasileiro precisa de uma esperança. É exatamente isso que um herói proporciona para o povo: a ideia ou o sonho de que nada está perdido, ou pelo menos nem tudo estaria perdido, que, no meio do caos, de fatos tristes, de uma sociedade injusta, existe a esperança, a salvação do inocente, a vitória do justo.
    Quem nunca, na sua infância, vibrou quando um super-herói salvou tudo quando somente ele poderia salvar? Sabemos os seus nomes, inclusive os seus superpoderes. Claro, todo super-herói tem um super poder. Com exceção do Batman, que é um justiceiro, mas tem um cinto de utilidades em que cabe tudo, um carro incrível e um esconderijo que ajuda bastante.
    Quadrinhos e imaginário de seus criadores à parte, voltemos nosso olhar atento para a história brasileira, para a vida real. Lembrome de Ayrton Senna. Ainda hoje me arrepio quando ouço o Tema da Vitória: porque uma simples melodia representava a vitória do Brasil. Em um momento político caótico, em um tempo de desigualdade extrema, havia um homem, um piloto, que vencia em um esporte que não é alcançável para 99% da população. Em um momento em que ninguém tinha orgulho de dizer “sou brasileiro”, existia aquele cara que, em cada vitória, levantava a nossa bandeira para o mundo ver que aqui existia, sim, um vencedor.
    E o que nós sentíamos? Sentíamos a esperança. Pensávamos: é possível vencer, é possível triunfar, mesmo sendo brasileiro. É isso que os heróis fazem por nós: eles vencem, quando cidadãos comuns não podem. Ainda hoje sinto falta de um bom motivo para assistir a Fórmula 1. Convenhamos, por mais que goste deste esporte, fica muito difícil não ter um Ayrton lá.

 Disponível em: <http://tinomoraes40128.com/?p=402>. Acesso em: 10 Nov. 2012. [Adaptado]


TEXTO 02
Heróis de ocasião
Renilson Rosa Ribeiro

    O universo infanto-juvenil é povoado de heróis e de figuras míticas. Os (super) heróis estão presentes em livros, gibis e filmes. Em suas múltiplas versões, revelam-se ao mundo por feitos fantásticos, realizando atos de coragem, salvando vidas e arriscando a sua própria por uma causa maior. No Brasil, o culto aos heróis nacionais esteve sempre associado à recuperação de um passado glorioso. Um dos princípios básicos deste pensamento era o da ação individual em nome do coletivo, do sacrifício em prol da nação.
    Mesmo sabendo que o Brasil não existiria sem seus heróis, a reflexão sobre a forma como são construídos os mitos e símbolos nacionais nos ajuda a repensar o papel dos indivíduos na História. As tramas históricas não podem ser entendidas como dependentes do destino de poucos, de façanhas ou vontades individuais, em que quase não se destaca a dimensão coletiva das lutas por mudanças ou a resistência exercida por grupos em defesa de seus direitos.
    Os sujeitos históricos, têm suas particularidades e sua força. São líderes de lutas para transformações ou permanências na sua realidade, atuando em grupo ou de forma isolada: trabalhadores, mulheres, escravos, camponeses, religiosos e políticos, entre outros. Esse tipo de compreensão ajuda a diminuir a névoa da mística e da celebração em torno dos heróis nacionais. Em seu lugar, entra em cena o exercício reflexivo e crítico sobre a ação social de indivíduos, grupos ou classes sociais.

 Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/herois-de-ocasiao>. Acesso em: 10 Nov. 2012. [Adaptado]


TEXTO 03
Istoé - Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki - Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

 Disponível em: <http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/12528_CUIDADO+COM+OS+BURROS+MOTIVADOS>. Acesso em: 10 Nov. 2012.


TEXTO 05
O triunfo da justiça
Hugo Marques e Laura Diniz

    A postura muitas vezes agressiva do ministro, vista com cena reservada até pelos próprios colegas da corte, ajudou ajudou a fixar a imagem de um cavaleiro disposto a enfrentar as resistências em busca da justiça – um ato de bravura. […] Já existem milhares de citações na internet ressaltando as virtudes heroicas do ministro Joaquim. Há duas semanas, o ministro atendeu, no intervalo do julgamento, uma senhora que dizia ter viajado do Rio de Janeiro a Brasília apenas para conhecê-lo. Chorando, ela elogiou o trabalho do relator. “O ministro incorpora uma espécie de herói do século XXI. Precisávamos de uma pessoa com o perfil dele para romper com os rapapés aristocráticos, pois chegamos ao limite da tolerância com a calhordice no poder”, diz o antropólogo Roberto DaMatta.

 Veja, 10 out. 2012. p. 71.


TEXTO 06
Pobre do país que precisa de heróis...
William Junior

    Alguém escreveu: pobre do país que precisa de heróis. Pobre do país que precisa de um ser extraclasse, de um ser midiático, de uma figura messiânica, de um Sassá Mutema. Quando o autor da frase assim se manifestou provavelmente queria dizer que um país deveria ser constituído por uma grande massa de cidadãos comuns e virtuosos. Ou seja, a regra deveria ser que a maioria das pessoas fosse íntegra. Como a maioria das pessoas parece não ser, então entra a figura lendária do redentor, aquele que representa o nosso ideário, aquilo que poderíamos ser e não somos, aquilo que um dia o nosso projeto juvenil almejou alcançar e nos faltou perna para tal. O bom de uma família, de uma empresa, de um time de futebol, de um país não é alguém que se sobressaia. O bom é a mescla, o bom é a média, é o equilíbrio de orgulhos e vicissitudes. O bom é uma média, um equilíbrio tipo uma nota sete no boletim. Não precisa ser dez e nem três. Quando a média não é boa, quando o grupo não tem o imprescindível precisamos do herói.
    A derrocada dos valores humanos, em visível contraste aos avanços das comodidades da vida atual, faz emergir o imaginário, aquela figura de cavalo branco que um dia iria salvar o Brasil das garras dos atrasos sociais. O Brasil seria salvo por um príncipe jovem, depositário de todos os adjetivos possíveis e seríamos eugenicamente felizes porque dizem que Deus é brasileiro e que talvez tenha nascido em Garanhuns, Pernambuco.

 Disponível em: <http://metendobico.blogspot.com.br/2009/08/pobre-do-pais-que-precisa-de-herois.html>. Acesso em: 10 Nov. 2012. [Adaptado]


TEXTO 04 e TEXTO 07




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