
Leia o artigo Pelo Saber do Branco:
Os indígenas perceberam que, embora queiram viver na floresta, a sua cultura e sua tradição não bastam. “Precisamos ter nossos médicos, nossos professores. Eles vão vacinar os povos indígenas, protegê-los da morte, ensiná-los a não morrer tão tolamente”, diz Bonifácio Baniwa, líder do Conselho Indígena do Alto Javari.
Ofertas para estudar não faltam. A cota da Universidade Estadual do Amazonas para indígenas em 2007 chegou a 274 vagas. Em 2006, a Universidade Federal do Amazonas ofereceu 120 vagas. Muitas delas não foram preenchidas. Os índios maku-hüpdas e os ianomâmis, por exemplo, não têm nenhuma pessoa com nível médio para pleitear um curso superior.
Bonifácio Baniwa sonha conjugar a medicina indígena com a dos brancos e acha que esse casamento científico acabará com o principal dos dilemas indígenas – a morte pela doença trazida pelo branco.
Já o jovem André Baniwa, da mesma etnia, está mais preocupado em defender o conhecimento da medicina indígena contra a pirataria das multinacionais farmacêuticas e cobra providências para proteger o saber dos pajés. Em 1992, um evento reuniu 400 pajés para debater os segredos da medicina da fl oresta. Pouco tempo depois, uma indústria farmacêutica européia pediu patente da copaíba e da andiroba, duas das plantas mais mencionadas no encontro...
(Adaptado de: artigo Pelo Saber do Branco. Revista Amazônia, Grandes Reportagens. O Estado de São Paulo, dezembro de 2007)
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