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São Paulo Etec-SP 2008.2 1ª Fase Questão: 25 Português Interpretação de textos 

Neste texto, Ruy Castro se transporta no tempo e se vê como um jornalista a noticiar a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, ocorrida há 200 anos.

É hoje!

Rio de Janeiro. O príncipe regente dom João desembarca hoje no Rio com sua família e um enorme séqüito
de nobres, funcionários, aderentes e criados. Precisou que Napoleão botasse suas tropas nos calcanhares da
Corte para que esta fi zesse o que há cem anos lhe vinha sendo sugerido: transferir-se para o Brasil.
Não se sabe o que, a médio prazo, isso representará para a metrópole. Mas, para a desde já ex-colônia, será
supimpa. Porque, a partir de agora, ela será a metrópole. E, para estar à altura de suas novas funções, terá
de passar por uma reforma em regra – não apenas cosmética, para receber o corpo diplomático, o comércio
internacional e os grãos-fi nos de toda parte. Mas, principalmente, estrutural. Afi nal, é um completo arcabouço
administrativo que se está mudando.
Para cá virão os ministérios, as secretarias, as intendências, as representações e a burocracia em geral. Papéis
sem conta serão despachados entre esses serviços, o que exigirá uma superfrota de estafetas [mensageiros].
A produção de lacre para documentos terá de decuplicar. O Brasil importará papel, tinta e mata-borrões em
quantidade, mas as penas talvez possam ser fabricadas aqui, colhidas dos traseiros das aves locais.
Estima-se que, do Reino, chegarão 15 mil pessoas nos próximos meses. Será um tremendo impacto numa
cidade de 60 mil habitantes. Provocará mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes, no vestuário,
nas fi nanças, na medicina, no ensino, na língua. Com a criação da Imprensa Régia, virão os jornais. O regente
mandará trazer sua biblioteca. Da escrita e da leitura, brotarão as idéias.
Até hoje, na história do mundo, nunca a sede de um império colonial se transferiu para sua própria colônia. É
um feito inédito – digno de Portugal. E que pode não se repetir nunca mais.
(Ruy Castro. Folha de S. Paulo, 08/03/2008)

Considere as afirmações:

I. No 2º parágrafo, a expressão “uma reforma em regra – não apenas cosmética” significa que as mudanças na sociedade, com a vinda de dom João VI, deveriam ser profundas e verdadeiras e não apenas aparentes.
II. No 3º parágrafo, o autor reconhece e elogia a eficiência administrativa e burocrática que a Corte trará para os órgãos públicos, no Brasil.
III. No 4º parágrafo, o escritor demonstra suas expectativas por melhorias nas condições sociais e culturais do Brasil.

Está correto o que se afirma apenas em

 



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