
Leia atentamente o poema.
Janela indiscreta
Bem depois do desaparecimento da fonte
Que deu origem ao nome da minha rua
Foi a vez do riacho
Vieram homens e máquinas
Esmagaram quintais, galinhas e hortas
Meteram a água em manilhas
E cobriram tudo com cimento
Mais tarde, foi a vez das velhas casas
Vieram mais homens, outros homens
Que sequer sabiam que ali houve um riacho
E passaram suas barulhentas máquinas
Sobre as velhas casas e seus muros
Cobertos de hera e fantasmas
Os herdeiros dos velhos moradores
Não resistiram ao apelo imobiliário
E aos apartamentos cotados em dólar
No lugar do que era verde
Crescem estacas adubadas
Por mãos calosas, rudes mãos,
De famintos e suados homens
Que de vez em quando
Ouvem ruídos na terra
E nem se dão conta disso
A minha rua, vista assim do oitavo andar
É um gigantesco tabuleiro – móvel paisagem
Onde só é permitido observar
(Dalila Teles Veras. Disponível em:
<www.semasa.sp.gov.br/admin/biblioteca/docs/pdf/LIVRO_
GEST_ED_AMB_V1.pdf> acessado em: fev. 2007.)
A partir da análise do poema, pode-se argumentar que
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