
Leia o texto a seguir para responder à questão 25.
A forte coincidência que se nota no Brasil entre limites políticos e limites linguísticos não deve, porém, nos tornar cegos para existência de algumas situações de bilinguismo, isto é, para situações localizadas em que o português convive com outras línguas. Algumas dessas “ilhas” foram, no passado, quilombos ou comunidades negras formadas depois da abolição, que se fecharam às influências externas por questões de autodefesa (como é o caso da comunidade de Cafundó, no estado de São Paulo) ou áreas colonizadas por imigrantes europeus que conservam sua língua ou dialeto (caso de muitas comunidades italianas, alemães, polonesas e japonesas, nos estados do Sul e Sudeste). Algumas dessas comunidades já foram verdadeiras ilhas aloglotas, isto é, comunidades de fala não portuguesa, cercada por todos os lados pelo português. Mas a política adotada durante o regime do Estado Novo (1937-1944) e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), no sentido de forçar a alfabetização em português em todo território nacional, e de “abrasileirar” aquelas comunidades fez com que, num primeiro momento, elas se tornassem bilíngues e, em seguida, abandonassem a língua trazida pelos primeiros imigrantes.
ILARI, Rodolfo. BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.
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