
Mas não tornais quem vos consulta / Nem menos mau, nem mais feliz.
Nestes versos, o eu-lírico se serve ao mesmo tempo de dois procedimentos tradicionais da poesia e da oratória, a personificação (ou prosopopeia), atribuição de vida, ação, movimento e voz a coisas inanimadas, e a apóstrofe, recurso que consiste em o orador ou o eu-lírico dirigir-se a uma pessoa ou coisa real ou fictícia. Identifique a presença da personificação e da apóstrofe nos versos citados e aponte as palavras que, por suas características gramaticais, permitem detectar esses procedimentos.
Livros
De livros mil vivo cercado,
Dias e noites passo a ler,
Mas, francamente, o resultado
Coisa não é de agradecer.
Nenhum me dá – paz e conforto,
Nenhum me diz se eu amanhã
Vivo estarei ou se, já morto,
Terá cessado o meu afã.
Nada afinal sabeis ao certo
Sobre das almas o tropel...
Do vosso cume vê-se perto,
Chatas montanhas de papel.
Vãs pretensões! Orgulho fofo!
Do ser mesquinho que voz fez
Tendes o mesmo vil estofo,
Tendes a mesma pequenez.
Cada vez mais, debalde, avulta
Vossa maré... Tudo invadis;
Mas não tornais quem vos consulta
Nem menos mau, nem mais feliz.
Que um cataclismo vos destrua,
Mal não fará... Sem o sentir,
Serena a vida continua:
Lutar, sofrer, sonhar, mentir.
(Afonso Celso. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro: H.
Garnier Livreiro-Editor, 1904, p. 03-04. Adaptado.)
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