
Texto 4
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão vale a luz do seu suor
Beto Guedes / Ronaldo Bastos. Amor de índio. LP Amor de
índio. Philips, 1978.
O operário em construção
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que ele sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
/.../
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que o seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que a sua imensa fadiga
Era amiga do patrão
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
zuarte: tecido de algodão, rústico, com fios brancos e azuis mesclados.
MORAES, Vinícius de. Poesia completa e prosa. vol. único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. p. 413-414. (fragmento)
A afirmativa que interpreta, de forma correta e contextualizada, o título do poema de Vinícius de Moraes é a seguinte:
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