
TEXTO VII
Caçadas de Pedrinho
Monteiro Lobato
Dos moradores do sítio de Dona Benta o mais andante era o Marquês de Rabicó. Conhecia todas as florestas, inclusive o capoeirão dos Taquaruçus, mato muito fechado onde Dona Benta não deixava que os meninos fossem passear. Certo dia em que Rabicó se aventurou nesse mato em procura das orelhasde- pau que crescem nos troncos podres, parece que as coisas não lhe correram muito bem, pois voltou rapidamente.
— Que aconteceu? — perguntou Pedrinho, ao vê-lo chegar todo arrepiado e com os olhos cheios de susto. — Está com cara de Marquês que viu onça...
— Não vi, mas quase vi! — respondeu Rabicó, tomando fôlego. — Ouvi um miado esquisito e dei com umas pegadas mais esquisitas ainda. Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho dum bezerro. Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e as pegadas também eram de gato, mas muito maiores. Logo, era onça.
Pedrinho refletiu sobre o caso e achou que bem podia ser verdade. Correu em procura de Narizinho.
— Sabe? Rabicó descobriu que anda uma onça no capoeirão dos Taquaruçus!...
— Uma onça? Não me diga! Vou já avisar vovó...
— Não caia nessa — advertiu o menino. — Medrosa como ela é, vovó ou morre de medo ou trata de nos levar hoje mesmo para a cidade. Muito melhor ficarmos quietos e caçarmos a onça.
A menina arregalou os olhos.
— Está louco, Pedrinho? Não sabe que onça é um bicho feroz que come gente?
— Sei, sim, como também sei que gente mata onça.
— Isso é gente grande, bobo!
— Gente grande!... — repetiu o menino, com ar de pouco-caso. — Vovó e Tia Nastácia são gente grande e, no entanto, correm até de barata. O que vale não é ser gente grande, é ser gente de coragem, e eu...
— Bem sei que você é valente como um galo garnisé, mas olhe que onça é onça. Com um tapa derruba qualquer caçador, diz Tia Nastácia.
O menino bateu no peito com arrogância.
— Pois quero ver isso! Vou organizar a caçada e juro que hei de trazer essa onça aqui para o terreiro, arrastada pelas orelhas. Se você e os outros não tiverem coragem de me acompanhar, irei sozinho.
A menina arrepiou-se de entusiasmo diante de tamanha bravura e não quis ficar atrás.
— Pois vou também! — gritou. — Uma menina de nariz arrebitado não tem medo de coisa nenhuma.
(LOBATO, Monteiro. Caçadas de Pedrinho Hans Staden . Vol. III. Edição integral e ilustrada digitalizada. Texto adaptado.)
“Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e as pegadas também eram de gato, mas muito maiores. Logo, era onça.” As palavras
destacadas podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente por
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