
No texto “Os meninos morenos”, você viu que o povo que aqui já vivia fez parte da formação do brasileiro, muito antes de os portugueses ou africanos chegarem a essa linda terra. Vamos conhecer um pouco sobre seus traços e sua cultura?
TEXTO III
Alguns traços da cultura indígena
Cláudio e Orlando Villas Bôas
Os traços da cultura do índio se diferenciam dos nossos. Numa comunidade elas são brandas, mansas, sem castigo. O índio é uma criatura livre. Ninguém determina o que ele deve fazer. Ele é dono dos seus atos e do seu tempo. O que mantém a unidade tribal é a força da cultura nascida das suas tradições. Ninguém manda em ninguém. Não vivem, como muitos podem pensar, num regime comunal onde tudo é de todos. A propriedade é individual dentro mesmo do grupo familiar. O que é do marido é dele, o que for da mulher é dela. Os pais não castigam os filhos e deles nada exigem. Respeitam-nos. Quando se aponta um menino e pergunta-se ao pai:
– Você está ensinando o seu filho?
– Não.
– Por quê?
– Eu não sei se ele quer.
– E, então, como e quando ele vai aprender?
– À medida que ele for precisando, ele pergunta. Daí eu ensino.
O índio é uma criatura alegre. Quase nada o entristece. Tudo é motivo de graça. Um civilizado na aldeia que quer ser desembaraçado pintando-se como índio, cortando o cabelo igual a ele, pensando que assim o agrada, em verdade provoca risos e comentários. À noite nas redes eles lembram o ocorrido, caçoam e quase sempre com a observação: “Caraíba necatuité” (branco civilizado é bobo).
***
A criança é uma entidade. E como tal deve ser respeitada. Não se há de contrariá-la, assim pensa o índio.
Uma índia fazia caprichosamente umas panelinhas com forma de passarinho, com asinha, rabinho e biquinho. Ao lado, sua filhinha de 4 anos. À medida que a mãe terminava, ela “puf”, com um pedacinho de pau, quebrava. A cena à nossa frente repetiu-se quatro vezes. Sugerimos à índia que parasse para que ela – a criança – não continuasse quebrando. Ela incontinenti respondeu (claro, na sua língua):
– Não posso parar porque ela quer quebrar. Simplificando sugerimos:
– Então não faça o biquinho, a asinha e o rabinho, que são as partes mais demoradas e trabalhosas.
Ela continuou trabalhando e apenas esclareceu:
– Sem rabinho, sem asinha e sem biquinho não é panelinha, e ela quer quebrar panelinha!
Encerrado o assunto, depois da décima primeira a menininha foi embora e a mãe continuou com sua labuta.
VILLAS BÔAS, Cláudio; VILLAS BÔAS, Orlando. Almanaque do sertão: histórias de visitantes, sertanejos e índios. São Paulo: Globo, 1997, p. 213-215 - adaptado.
Vocabulário:
1. Regime comunal – regime em que tudo é comum, é de todos.
2. Incontinenti – sem freios, sem parar.
3. Labuta - trabalho.
No texto acima, vemos alguns costumes na criação das crianças indígenas que diferem da criação dos povos que se consideram “civilizados”. Indique a única situação que NÃO corresponde à cultura indígena retratada na narrativa.
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