
Este é um poema sob a forma de um repente nordestino. O “repente” é uma modalidade popular de poesia, cantado por violeiros. Ele obedece às regras de um tipo de estrofe chamado martelo alagoano, composto por dez versos, cuja última linha, obrigatoriamente, termina com a expressão martelo alagoano.
Potira
Valdeck de Garanhuns
Dois amantes viviam a sonhar
bem felizes curtiam sua terra
mas um dia chegou a triste guerra
e o casal teve que se separar.
O guerreiro partiu para lutar
muito triste pois não era seu plano
a esposa ficou em desengano
coração apertado de sofrer
esperando o amado aparecer
pra cantar um martelo alagoano.
Prometeu que jamais ia chorar
esperando o regresso do amado
e seu pranto1 no peito estagnado2
só com a morte iria derramar.
Todo dia Potira ia olhar
Se seu índio surgia, mesmo insano3
mas o rio revelava seu engano
e Potira voltava para a aldeia
pra sonhar sob a luz da lua cheia
e cantar seu martelo alagoano.
Essa índia sofreu e esperou
o regresso do índio tão querido
quando soube da morte do marido
todo pranto que tinha derramou.
Lá na beira do rio ela ficou
a chorar seu destino tão tirano
mas Tupã o bondoso soberano
transformou suas lágrimas brilhantes
em milhões e milhões de diamantes
e o seu pranto em martelo alagoano.
(Garanhuns, Valdeck de. Mitos e lendas brasileiros em prosa e verso recontados por Valdeck de Garanhuns. Série Folia Popular, 1ª ed., São Paulo: Moderna, 2007.) (Imagem retirada de <http://redescobrindoaalfabetizacao.blogspot.com/2009/08/lenda-dos-diamantes.html>. Acesso em 10/10/2011.)
Pelo que você leu no poema, só não se pode afirmar que
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