
Texto II
Meus oito anos
Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora1 da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras2
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
(...)
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos3
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias4,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar! […]
(www.bibvirt.futuro.usp.br)
Vocabulário:
1 Aurora: o nascer do dia.
2 Fagueira: agradável, suave.
3 Ditoso: feliz.
4 Ave-Maria: é uma oração em honra a Maria, mãe de Jesus.
Na última estrofe do poema (texto II), há dois verbos antônimos.
I) Copie esses verbos:
II) Eles representam, com relação à alegria do poeta, uma ideia de:
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