
Para comer depois
Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.
Tomam a fresca¹ e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:
‘Eh bobagem!’
Daqui a muito progresso tecno‐ilógico,
quando for impossível detectar o domingo
pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,
em meu país de memória e sentimento,
basta fechar os olhos:
é domingo, é domingo, é domingo.
¹tomar a fresca: refrescar‐se ao ar livre nos dias mais quentes.
(Adélia Prado. Disponível em http://errancia.wordpress.com/2006/03/06/para‐comer‐depois/)
No texto, na segunda estrofe, o eu lírico imagina uma situação diferente da que vivencia na primeira estrofe. O termo presente na segunda estrofe que pode ser considerado a causa dessa transformação é
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